A luta dos trabalhadores não pode ser considerada um crime

Nos últimos anos houve um crescimento desses episódios por todo o país. Interditos proibitórios, a interferência do Estado e das empresas na organização dos trabalhadores e demissão de dirigentes e ativistas sindicais são ações cada vez mais sentidas pelos ativistas do movimento sindical.

A campanha de Toninho também está a serviço de um combate sem tréguas contra a criminalização dos movimentos sociais. Infelizmente, em São José não faltam episódios lamentáveis de atentados contra as lutas dos trabalhadores.

Atentado contra organização dos trabalhadores
No dia 1° de agosto, a Conlutas do Vale do Paraíba sofreu um dos maiores atentados contra o movimento sindical desde a ditadura militar. Um bando de homens armados, alguns encapuzados, invadiu a sede da entidade a tiros quando operários da Revap (refinaria da Petrobras) estavam reunidos no local. Os trabalhadores estavam ali para fundar a Associação de Ajuda Mútua e Solidária dos Trabalhadores da Revap da Construção Civil do Vale do Paraíba e do Litoral Norte. No atentado, um operário cipeiro, dirigente da comissão da greve, foi baleado.

Veículos do Sindicato dos Metalúrgicos de São José foram depredados. Documentos relativos à fundação da associação foram roubados, tais como a ata e a lista de presença.

O objetivo do atentado foi intimidar a Conlutas e os trabalhadores da Revap. Na última greve da categoria, os trabalhadores da construção civil repudiaram o sindicato da categoria, da CUT, que fazia o jogo das empreiteiras e da Petrobras. Todos eles têm o interesse de impedir a organização dos trabalhadores para lutar. Por isso, a suspeita de tudo isso está entre o Sindicato da Construção Civil, a CUT, as empreiteiras e a Petrobras, que estavam no processo de conflito, realizando demissões.

Interdito proibitório
Depois que os trabalhadores derrotaram o banco de horas, a GM entrou com pedido na Justiça para impedir a presença do sindicato de São José e da Conlutas na porta da empresa, mesmo para a realização de assembléias. A multinacional também quer impedir que sejam distribuídos materiais contra o banco de horas nas demais unidades da GM. A tentativa de censura é a resposta que a empresa vem tentando dar à vitória dos metalúrgicos. Também mostra os limites da democracia dos ricos e poderosos.

Fechando o cerco
Há outros inúmeros exemplos de criminalização dos trabalhadores, como a perseguição ilegal, inconstitucional e violenta que vem sendo praticada pelo Ministério Público e pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul contra os trabalhadores do MST, cujo objetivo é dissolver o movimento.

O que acontece é que o Estado e os governos vêm cada vez mais aplicando a violência contra todo e qualquer movimento reivindicatório que represente uma ameaça aos lucros das grandes empresas e multinacionais. Por outro lado, o que se vê também é uma profunda colaboração dos pelegos sindicais com essa política.

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