No 1º de maio, Serra e Dilma fazem campanha eleitoral com recursos públicos

Nesse 1º de maio a imprensa destacou os atos-shows promovidos pelas maiores centrais sindicais, que reuniram centenas de milhares de pessoas, principalmente na capital de São Paulo. Como já vem ocorrendo há vários anos, foram eventos bancados por estatais, bancos e empresas privadas, o que garantiu a contratação de uma série de artistas famosos, além do sorteio de carros e apartamentos.

Como este é um ano eleitoral e o clima de campanha já está se impondo, o governo se aproveitou disso para promover sua candidata à Presidência. Dilma Roussef não perdeu tempo e, ao lado de Lula, compareceu ao evento da Força Sindical e CGTB, ao ato organizado pela CTB, que também reuniu a UGT e a NCST e, encerrou o dia na festa da CUT.

Segundo a Folha de S. Paulo, só as estatais como Petrobras, Caixa e Banco do Brasil despenderam algo como R$ 2 milhões aos eventos que serviram como verdadeiros palanques eleitorais à candidata do governo. Nos atos, Lula mal teve a preocupação de disfarçar sua real intenção em comparecer pela primeira vez aos atos de 1º de maio, em oito anos de governo. Como no ato da Força, em que afirmou ao público: “Vocês sabem quem eu quero”.

Campanha eleitoral
Diante da escancarada campanha eleitoral realizada por Lula, Dilma e os dirigentes das centrais, o PSDB anunciou que entraria com uma ação no TSE por campanha eleitoral antecipada e financiada com recursos públicos. O que os tucanos não dizem, porém, é que, justo no momento em que Lula e Dilma faziam campanha nas festas das centrais, Serra participava de um evento religioso em Santa Catarina, bancado com verbas públicas de administrações tucanas.

O evento, organizado pela ONG Gideões Missionários da Última Hora, ligada à igreja Assembleia de Deus, recebeu R$ 540 mil do governo de Santa Catarina e da Prefeitura de Camboriú, ambos governados pelo PSDB. No congresso religioso, assim como Lula, Serra fez campanha aberta e chegou a pedir oração para ter “sabedoria para enfrentar as lutas e desafios daqui por diante”. O candidato tucano foi aclamado ainda como o “futuro presidente” pelos dirigentes da igreja.

Esse 1º de maio mostra, assim, que tanto o PT quanto o PSDB não pensam duas vezes antes de utilizar recursos públicos para promoverem seus candidatos. Expõe ainda o atrelamento das cúpulas das centrais sindicais ao governo, o mesmo que se recusa a reduzir a jornada de trabalho ou reajustar as aposentadorias, bandeiras que essas centrais dizem defender. É bom notar ainda que não só o PT que recorre às centrais sindicais pelegas em época de eleições. Em 2006, quem compareceu ao ato da Força Sindical em São Paulo, por exemplo, foi o então candidato à Presidência Geraldo Alckmin, que deve disputar o governo do estado este ano.

Financiamento
Um outro aspecto desse 1º de maio, além dos recursos públicos e das centrais pelegas, é o financiamento privado dessas festas. Que interesses tem, por exemplo, o Santander, Brahma ou Casas Bahia em financiar os atos e, por extensão, essas campanhas eleitorais? Isso se dá pois, uma vez eleito, tanto o PSDB quanto o PT governam para as grandes empresas. Nesse dia 4 de maio um levantamento da Folha mostra que 68% de tudo o que PT, PSDB, PMDB e DEM receberam em 2009 vieram de empreiteiras. Só o PT levou quase R$ 45 milhões. E olha que nem foi ano eleitoral!

É como diz o ditado: quem paga a banda, escolhe a música. É por isso que o PSTU se recusa a receber doações de empresas ou bancos, sendo financiado exclusivamente pelos trabalhadores. São os militantes e simpatizantes do partido que sustentam inclusive nossa campanha eleitoral, garantindo assim total independência na defesa da classe trabalhadora, na luta contra o capitalismo, e por uma sociedade socialista.