Nesta quinta-feira (24/11), dias após a chacina do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, mais um jovem negro trabalhador foi morto pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Desta vez, no Morro do Palácio, comunidade localizada no bairro do Ingá, Zona Sul do município de Niterói.

Para variar, a versão da polícia diz que houve confronto e que foi encontrada uma arma junto ao corpo de Elias de Lima Oliveira. Contudo, o relato de vários moradores é que o jovem, que trabalhava como entregador, descia o morro em sua motocicleta quando foi abordado pelos policiais militares. Ainda segundo os relatos, com as mãos à cabeça, sem oferecer resistência e riscos aos agentes, implorou dizendo que era morador da comunidade e trabalhador. Mesmo assim foi executado com um tiro no rosto.

O corpo do entregador, de forma contraditória ao relato oficial da polícia, foi arrastado até a viatura e levado ao Hospital Estadual Azevedo Lima, em Niterói, onde chegou sem vida. Importante frisar que esta é uma prática comum da PM, utilizando-se da desculpa de prestar socorro à vítima para adulterar a cena do crime e impedir a atuação da perícia.

Moradores da comunidade do Morro do Palácio, inconformados, realizaram protestos pelas ruas do bairro do Ingá, fechando ruas e interditando o trânsito da localidade. Mulheres, jovens e trabalhadores expressavam sua revolta denunciando a violência policial com cartazes como “Elias foi mais um – na favela é assim, primeiro atira e depois pergunta” e “A favela está suja de sangue, sangue de trabalhador”. Os gritos de “Justiça”, “Elias presente” e “Morador na rua, polícia a culpa é sua” expressavam a indignação e a dor da comunidade. Foram várias horas de manifestação, ocupando as ruas Presidente Domiciano, Paulo Alves e a Praia das Flechas.

O irmão da vítima, o pastor Leonardo Lima de Oliveira, com indignação fez um desabafo, por meio de vídeo, nas redes sociais: “Meu irmão trabalhava fazendo entrega de iFood, ele era freelancer como motoboy. O meu irmão estava descendo [o morro] para poder trabalhar. Os ‘polícia’ enquadraram ele. Segundo um morador, eu tenho aqui o áudio, mandaram o morador voltar e o meu irmão gritando: ‘Eu sou morador, eu sou morador’. Eles deram dois tiros de fuzil. Eles arrastaram o meu irmão igual cachorro e jogaram”, afirmou o irmão de Elias.

Estas ações policiais utilizam sempre o argumento de combate ao tráfico de drogas para justificar suas ações nas favelas. Mas, se esta política funcionasse, o tráfico de drogas já teria acabado há muito tempo. O que acaba acontecendo é a substituição, no controle do tráfico, de um grupo criminoso por outro. A marca permanente da ação policial é a violência contra a população, atingindo em cheio a juventude negra e resultando nessa escalada de mortes.

É a política de criminalizar a pobreza, promovendo um verdadeiro genocídio, em particular do povo negro e da juventude que habita as favelas e comunidades. Uma política sustentada pelo sistema capitalista e seus governos como Bolsonaro e Cláudio Castro, que trazem cada vez mais exploração e opressão para a população trabalhadora e negra.

No dia 20 de novembro, dia da Consciência Negra, milhares de trabalhadoras, trabalhadores e jovens foram às ruas dizer que não aceitam a violência e o racismo contra os negros. A luta, este é o caminho para impedir o genocídio da juventude e da população negra.

Precisamos de uma política de segurança que se imponha pelo respeito aos direitos dos trabalhadores e da população pobre e não pela imposição da violência, do medo e do terror. Uma polícia que se aproxime da sociedade, com a eleição de delegados pela população. Defendemos a auto-organização dos trabalhadores e trabalhadoras, dos moradores das comunidades e do povo pobre para se defenderem do crime organizado, do tráfico e das milícias. E, também, da violência policial.

– Pelo fim da guerra aos pobres e do genocídio da juventude e da população negra
– Pelo fim das operações policiais em favelas!
– Pela descriminalização das drogas!
– Pela desmilitarização da PM!
– Fora Cláudio Castro e sua política de segurança genocida!
_ Fora Bolsonaro e Mourão!