Neoliberalismo na raiz da rebelião

Entre o fim dos anos 70 e o início dos 80, a Europa foi marcada pelo fim dos “trinta anos gloriosos”do boom econômico do pós-guerra. A crise do capitalismo na época fez com que a burguesia dos principais países capitalistas do velho continente iniciasse o desmonte do chamado “Estado do Bem-Estar Social”, erguido depois da II Guerra Mundial, que fez imensas concessões à classe trabalhadora desses países para impedir que o ascenso revolucionário destruísse o capitalismo na Europa ocidental.

Mas a globalização iniciada nos anos 80 desencadeou uma enorme ofensiva contra as políticas de pleno emprego, seguridade social, subsídios públicos e crescimento salarial. Impôs-se ao velho continente um novo modelo de acumulação de capital: o neoliberalismo.

Desemprego e ataque a direitos
Em novembro de 1993, houve um salto qualitativo da implementação dos planos neoliberais na Europa: entrou em vigor o Tratado de Maastrich, que marcou o surgimento da União Européia (UE). De lá pra cá, os governo dos países que fazem parte da UE implementaram planos de privatizações das estatais, reformas neoliberais na Previdência Social, flexibilização dos direitos trabalhistas, diminuição dos salários etc.

A taxa média de desemprego no continente é de 10%. O trabalho parcial, precário, passou de 13%, em 1985, para 18,2%, em 2002.

Com o fim das barreiras comerciais, iniciaram-se também as “deslocalizações”, com a qual a burguesia européia transfere parte das fábricas para países onde os salários são bem inferiores e não há a menor proteção trabalhista, como China ou Leste europeu.

A globalização trouxe grandes alterações na formação da classe operária européia, tanto pelo rebaixamento salarial como pela precarização do trabalho. Uma parte fundamental da estabilidade política européia no pós-guerra era a perspectiva de ascensão social dos trabalhadores, beneficiados com as migalhas do boom econômico.
Hoje, com a globalização, ter um emprego não é garantia para escapar da pobreza, e o desemprego ameaça boa parte da juventude. A incerteza sobre o presente, a insegurança no futuro são partes do cotidiano do proletariado. Os primeiros a serem atingidos por esses ataques são os imigrantes, o setor mais explorado do proletariado europeu.

Post author Eduardo Almeida Neto e Jeferson Choma, da redação
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