Na Turquia, mobilizações operárias atropelam sindicalismo pelego e paralisam produção em montadoras

Trabalhadores da FIAT na Turquia mobilizados

Importantes fábricas foram paralisadas como a Renault, a Fiat, Coskunoz e a Mako

Um inicial descontentamento entre trabalhadores turcos transformou-se em ação concreta na última semana, com dezenas de milhares de operários metalúrgicos em luta na cidade de Bursa, próxima a Istambul. Importantes fábricas foram paralisadas como a Renault, a Fiat, Coskunoz e a Mako.
 
O sindicalismo pelego do TürkMetal — a central sindical turca de metalúrgicos — não conseguiu segurar a mobilização massiva da base. Os operários passaram a exigir melhores salários após se sentirem encorajados por uma recente conquista dos trabalhadores da Bosch de até 60% de aumento. Como os trabalhadores da Bosch também são representados pelo TurkMetal, os metalúrgicos perceberam que acordos rebaixados a que tinham se submetido no último período se tratavam de um ataque da patronal e de uma traição dos dirigentes sindicais.
 
Os relatos de insatisfação entre os metalúrgicos já vinham sendo feitos desde abril, e culminaram na paralisação de 1.5000 operários do turno da meia noite da Renault no dia 15 de maio. A mobilização se espalhou para os 5 mil trabalhadores da planta, atingindo em seguida outras fábricas como a Fiat, que se somou ao movimento paredista em solidariedade, reivindicando também melhorias salariais. Na Renault, os grevistas já estão há três dias e duas noites na frente da fábrica. A patronal decretou feriado entre o dia 15, início das mobilizações, e o dia 18, esperando que o movimento perdesse força.
 
Dirigentes combativos turcos relatam que há um movimento inovador na vanguarada operária, de desligamento em massa do “sindicalismo amarelo” da TurkMetal, com filiação ao progressivo Birleşik Metal-İş, cujos membros dialogam com o sindicalismo da CSP-Conlutas.
 
Por dia, são fabricados cerca de 1200 carros na planta da Renault, mas a ação operária paralisou a produção completamente. Neste momento, são contabilizados cerca de 13 mil operários em greve.
 
Comitês de base chegaram a se estabelecer nas fábricas a partir das reivindicações locais, exigindo eleições democráticas de novos representantes dos trabalhadores nos sindicatos. As mobilizações ocorrem semanas antes das eleições legislativas, sendo que o país demonstra sinais de esgotamento econômico após um crescimento expressivo nos últimos anos.
 
As reivindicações dos operários são:
– O nosso acordo deve ser renegociado e assinado baseado como o acordo da Bosch;
– Trabalhadores por si só devem ser capazes de escolher o seu próprio representante do sindicato por processo democrático;
– Nós queremos a garantia de que não vamos ser demitido de nossas fábricas no caso de nos desligarmos do sindicato Turkmetal;
– Turkmetal deve deixar as fábricas imediatamente!