Na política, as inimizades fazem parte do negócio?


“A prática dos políticos burgueses diz, todos os dias, que isso é verdadeiro. A maior prova disso tem sido os enlaces e desenlaces (expressos nas alianças políticas) que vêm ocorrendo na política local e nacional. Os amigos de ontem tornam-se os inimigos de hoje, e vice-versa, sob uma retórica recheada de “boas intenções”. O critério que orienta essa prática é o pragmatismo em busca de um resultado político-eleitoral satisfatório e, portanto, defesa de negócios nem sempre confessados.

O cenário político é tomado por um verdadeiro teatro, onde os atores (bastante conhecidos), no Primeiro Ato, fingem ter profundas discordâncias para, em seguida, no Segundo Ato, tecerem os mais rasgados elogios aos pseudos inimigos de ainda pouco, e assim sucessivamente. Há governista que se torna oposição e oposição que se torna governista. Há liberal que se torna de esquerda e “esquerda” que faz juras de fidelidade à sagrada trindade do capital: FMI, Banco Mundial e Alca. Tudo isso cinicamente calculado para manutenção dos seus negócios e/ou privilégios.

O importante de tudo isso é perceber que essa corrupção moral que se alastra, inclusive aos partidos de esquerda, está fundada na mais “perfeita ordem” dos regimes neocoloniais, (Brasil), e dos regimes imperialistas (EUA), atingindo portanto, dimensões antes inimagináveis. Trata-se da crescente interação entre a economia legal e a ilegal. A corrupção desenfreada em escala gigantesca, o tráfico de drogas e a lavagem de dinheiro, são apenas expressões de um capitalismo em sua fase parasitária.

Com os planos neoliberais, a privatização das estatais favorece a corrupção em alto nível, devido as facilidades concedidas pelo governo a um ou outro grupo para arrematar as empresas públicas. A desregulamentação da economia ajuda a acobertar atos ilegais. O abandono – por parte dos Estados – dos serviços de saúde, educação e previdência permite desviar mais fundos para as empresas. A brutal centralização do capital torna a disputa pelos favores do Estado muitas vezes decisiva para a sobrevivência das empresas, tornando a corrupção dos funcionários parte fundamental da concorrência.

Diante desse quadro de corrupção, a maioria dos partidos procuram se afirmar sob um discurso de honestidade e moralidade pública. E, sob esse discurso, muitos políticos tornam-se inimigos, como os casos de: Orestes Quércia e Lula; Antônio Carlos Magalhães e Jader Barbalho. Mas, aqueles que em um momento se acusam mutuamente(tornando-se inimigos), em outro, sendo conveniente eleitoralmente, esquecem tudo e tornam-se os amigos de plantão, resguardando assim os seus interesses. O PSTU, entende a política como sendo a economia concentrada. Atualmente, Uma economia capitalista decadente com sua moral burguesa putrefata não poderia deixar de atingir a questão da amizade“.

Esta reportagem saiu no Jornal A Crítica no dia 21/07/02 – caderno de Política