Na abertura do congresso dos estudantes, a unidade com os trabalhadores

Já no primeiro dia do Congresso Nacional de Estudantes as polêmicas sobre a fundação de uma nova entidade estudantil se expressaram. O evento teve início neste 11 de junho, com o credenciamento dos participantes, a mesa de abertura, a aprovação do regimento interno do congresso, a apresentação das teses e painéis temáticos sobre escolas de ensino básico e médio, universidades públicas e pagas.

A mesa de abertura ocorreu por volta das 11h30. A estudante Clara, do DCE da UFRJ, deu as boas vindas aos participantes e criticou o papel que a UNE vem cumprindo nesses últimos anos, “de marionete do governo Lula, defendendo os planos neoliberais dentro das escolas e universidades”.

Gabriel Cassoni, do DCE da USP, falou logo em seguida sobre a mobilização que está enfrentando a tropa de choque na USP. “Em 2007 ocupamos a reitoria da USP e aquele movimento se espalhou por todo o país. Neste ano, novamente a USP se levanta e a tropa de choque invadiu a universidade como não ocorria há mais de 30 anos, desde a ditadura. Isso foi não só para calar a nossa luta, mas calar a luta do movimento estudantil nacional, para que não ocorra o que ocorreu em 2007”, disse. Ele finalizou com o chamado: “Façamos como em 2007, a luta da USP é a luta de todos nós”.

Zago falou em nome do Andes, ressaltando o papel da universidade nas mudanças da sociedade: “É preciso que a universidade seja uma alavanca, um instrumento de libertação da sociedade”. E apontou a direção desta transformação: “Acabar com o capitalismo é a tarefa para salvar a humanidade”.

Hebert Claros, do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, falou sobre os efeitos da crise sobre os trabalhadores e a juventude e sobre a necessidade de unir esses dois setores nas mobilizações. Falou sobre os jovens que também são trabalhadores: “sabemos da dificuldade do jovem para arrumar emprego por não ter experiência, sabemos a precarização do salário que é pago ao trabalhador jovem. Cerca de 70% da mão-de-obra da Embraer é jovem. São jovens já superexplorados, que já têm tendinite e problemas na coluna. E é assim em outras fábricas. Boa parte da nova diretoria do sindicato é jovem e reflete esta realidade do mercado de trabalho”. Ele falou ainda sobre a campanha pela reestatização da Embraer e sobre o apoio à mobilização da USP, afirmando que ambas as lutas são de todos, trabalhadores e juventude.

Zé Maria falou em nome da Conlutas, apontando o problema da crise econômica, suas consequências e as tarefas colocadas diante dela. “É um desafio para a juventude brasileira desencadear um processo de lutas, junto com os trabalhadores, não só contra as consequências desta crise, mas pelo enterro da sociedade capitalista”. Ele também falou sobre a proposta de fundação de uma nova entidade, que será debatida durante o Congresso: “Aqui os estudantes estão discutindo a construção de uma entidade para reunir a juventude brasileira e unir a luta da juventude á da classe trabalhadora deste país. E este desafio é enorme, pois os estudantes e os trabalhadores devem fazer mais do que aqueles que lutavam há anos atrás. Faço um chamado para que possamos fazer deste congresso um momento importangte de construção dessa organização e, mais que isso, de construção da unidade das lutas sempre que a gente enfrente as mesmas causas, uma unidade que construa uma nova sociedade, uma sociedade socialista”, finalizou.

No final da tarde e início da noite deste primeiro dia de congresso houve ainda a apresentação das 16 teses, na qual a proposta sobre a fundação da nova entidade começou a ser debatida. Camila Lisboa, do PSTU, defendeu a tese “Outros maios virão” e usou o exemplo da USP para falar sobre a necessidade da unidade e organização da juventude: “É preciso uma nova entidade que unifique os estudantes, porque um ataque aos estudantes da USP não é só um ataque aos estudantes da USP, é uma afronta à nossa combatividade”.

Por volta das 21h30, os estudantes ainda tiveram ânimo para participar dos três painéis temáticos setoriais simultâneos: um sobre ensino básico e médio, outro sobre universidades públicas e outro sobre universidades pagas.