Mulheres: o gênero nos une, a classe nos divide

Abrimos esta matéria com o título do livro escrito por Cecília Toledo porque ele sintetiza muitas das idéias que marcaram a história da luta contra o machismo no PSTU.

Apesar do machismo não respeitar barreiras de classe, são as mulheres trabalhadoras que mais sofrem com ele. Além de toda violência física e psicológica que decorrem das práticas machistas. O capitalista lucra ao contratar uma mulher com um salário inferior ao do homem (mesmo cumprindo a mesma função), quando incentiva a entrada da mulher no mercado de trabalho terceirizado ou precarizado, afetando as condições de vida de todos ou quando promove a ideologia machista no interior da própria classe trabalhadora.

Enfim, o capitalismo se utiliza da opressão da mulher para explorar ainda mais a classe trabalhadora. E os trabalhadores homens têm que reconhecer que, ao praticarem ou incentivarem o machismo, estão ajudando os patrões a aumentarem seus lucros e dividindo a classe.

Por isso mesmo, no decorrer de nossa história, e diferentemente da maioria dos grupos feministas (que pregam a “unidade de todas as mulheres”) sempre defendemos a unidade das trabalhadoras e dos trabalhadores na luta contra a opressão da mulher e, também, na luta contra o capitalismo.

Sempre acreditamos que para conquistar a igualdade em casa, na escola, na rua, na fábrica, na mina, no canteiro de obras, no sindicato, na roça, em toda parte e no dia-a-dia é necessário que construamos, juntos, uma sociedade socialista.

Assim, desde os primeiros momentos do PSTU, mulheres e jovens de todo o país têm constantemente utilizado do partido como um instrumento de sua luta. Para tal, realizamos sucessivos Encontros Nacionais (o primeiro em 1994, o último em 2001); participamos dos mais diversos fóruns de debate, no Brasil e em países da América Latina; fizemos campanhas de solidariedade em relação à luta de mulheres de todo o mundo. E, acima de tudo, lutamos para organizar a luta anti-machista no interior das entidades e organizações de nossa classe.

Novos desafios
Por isso, quando olhamos pra trás, nestes 15 anos, dentre as muitas lembranças e momentos que nos vêem à mente, temos particular orgulho em termos cumprido nossa parte na organização das mulheres no interior da Conlutas, hoje uma das principais alternativas e ferramentas da luta pela construção da sociedade que queremos e precisamos.

Foi militando intensamente no interior do GT de Mulheres da entidade que o PSTU ajudou a realizar, no ano passado, Encontro de Mulheres da Conlutas (com 821 delegadas e 211 observadoras e observadores, representando 228 sindicatos; 378 oposições; 147 movimentos). Um passo a mais na construção de uma alternativa de organização e luta para as mulheres; uma alternativa classista e socialista para as mulheres que sabem que nossa verdadeira liberação só virá com o fim do capitalismo.

E para isto que, as mulheres do PSTU dedicam sua vida e militância. Pois, como dizia Lênin (que soube entender a importância da luta anti-machista): “nossa luta não é de igualdade para todos, não é de liberdade para todos, mas a luta contra os exploradores e opressores pela eliminação das possibilidades de oprimir e explorar”.
Post author Da redação
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