Movimento estudantil aprova construção da marcha nacional no dia 18 de setembro em São Paulo


Nessa quinta-feira, 27 de agosto, em Brasília, durante a caravana em defesa da educação e logo após um radicalizado ato em que as portas do Ministério do Planejamento foram travadas pelas categorias em greve dos servidores públicos federais e estudantes, ocorreu uma grande plenária nacional do movimento estudantil. Vindos de todas as partes do país e representando DCE’s, comandos de greve e mobilização, CA’s, Das’, executivas de curso, além, é claro, da ANEL e coletivos que atuam em oposição de esquerda na UNE e outros.
Essa plenária, tal qual a ANEL propôs, aprovou um manifesto estudantil apresentado pela nossa entidade onde o movimento estudantil decide por se incorporar à Marcha dos Trabalhadores e das Trabalhadoras em São Paulo no dia 18 de setembro e no Encontro Sindical e Popular que ocorrerá no dia seguinte.
 
Confira abaixo o manifesto que foi aprovado por unanimidade entre os estudantes e representantes das seguintes organizações que estavam presentes:  ANEL, Movimento Juntos!, Juventude Vamos à Luta, UJC, JCA, Alicerce, Coletivo Construção, RUA, Mutirão, UJR, Coletivo Outros Outubros, Coletivo Primavera Socialista e Frente de Esquerda da Bahia
 
 
 
Carta do movimento estudantil brasileiro rumo à Marcha dos Trabalhadores e das Trabalhadoras contra o governo Dilma e a oposição de direita no dia 18 de setembro em São Paulo
 
A crise econômica tem feito vítimas em todo o mundo. A juventude é o setor mais afetado. Somos os primeiros a serem demitidos, estamos nos postos de trabalho mais precários, sofremos com os cortes nos serviços públicos e a retirada de direitos sociais.  Além de tudo isso, somos os que mais sofrem com a repressão e a falta de liberdades democráticas. A cada dia que passa, temos o nosso futuro ainda mais ameaçado.
 
Aqui no Brasil, os ataques do governo Dilma e da oposição de direita têm sido duríssimos e muito mais vem pela frente. Os indicadores econômicos apontam recessão em 2015 e 2016 e a política de ajuste fiscal aprofunda esse quadro. Com isso, os patrões jogam o peso da crise para o povo trabalhador e tentam garantir seu lucro com demissões e ameaças de redução de salários por meio do PPE. Ao mesmo tempo, seguem as privatizações do governo federal na Petrobrás, nos portos, aeroportos e rodovias. Os governos estaduais também privatizam, como a privatização da linha 5 do metrô de São Paulo e da companhia de energia de Goiás, ambos feitos pelo PSDB. A privatização da linha 5 do metrô de São Paulo e da companhia de energia de Goiás, ambos feitos pelo PSDB, mostram que a mesma política de privatização é compartilhada por governos estaduais, bem como a política de cortes e ajuste praticada pelo governo Sartori no RS é irmã da implementada por Dilma/Levy.
 
Avança também a crise social. As chacinas nos estados do Amazonas e São Paulo, matando 48 e 19 pessoas, respectivamente, maioria de jovens e negros, se somam aos atentados contra haitianos na capital paulista. Na Câmara dos Deputados, está sendo votado um projeto de lei que visa aumentar a criminalização dos ativistas, a chamada Lei Antiterrorismo.
 
 O governo federal cortou mais de R$ 70 bilhões do orçamento dos serviços públicos. Agora, o PT, em aliança com os bancos e a velha direita, prepara mais um novo ataque, a Agenda Brasil, o verdadeiro golpe em curso hoje no Brasil. Unificados em torno dessa tarefa, a velha direita de dentro do governo, encabeçada por Renan Calheiros, se lança a dar as mãos ao governo em meio a forte crise política. A grande burguesia faz o mesmo, por meio da FIESP e FIRJAN, Globo, “The Financial Times” e do apoio dos principais porta-vozes do imperialismo mundial, Obama e Angela Merkel.
 
O corte da educação, mais de R$ 11 bilhões, caminha para destruir as universidades brasileiras de forma muito acelerada. Os programas de assistência estudantil são alguns dos principais alvos dos cortes, prejudicando a permanência dos estudantes pobres e negros, bolsistas e cotistas. As bolsas e projetos de iniciação científica também estão entre as principais áreas afetadas. Na última semana, faltou energia na UFF, pois a conta não foi paga. O reitor da UFMA declarou que a universidade terá que fechar as portas por tempo indeterminado por falta de recursos. Os exemplos são inúmeros e, por isso, decidimos, em várias universidades, construir greves estudantis. Esse é o caso da UFRJ, UFBA, UNEB, UFMS, UFPR, UFC, UFGD, UFCG, UFF e UNIRIO. E mesmo onde não tem greve, tem luta, como na UFSC, UNIFESP e UFRGS e muitas outras.
 
No último dia 11 de agosto saímos às ruas, com muita unidade, contra os cortes de Dilma na educação e a redução da maioridade penal. E, assim, mostramos que é possível e necessário lutar contra o governo petista e a velha direita para defender os direitos dos trabalhadores e da juventude. Recentemente, também a greve dos trabalhadores da GM conseguiu impedir mais de 700 demissões, além do heroico exemplo da greve dos servidores públicos federais ultrapassando a marca de 90 dias. Agora é hora de darmos um passo em frente e colocar o bloco dos trabalhadores e da juventude nas ruas e materializar um campo político alternativo, contra a falsa polarização entre PT, PSDB e PMDB.
 
Dessa forma, para lutar contra os partidos e governos que aplicam o ajuste e retiram direitos do povo trabalhador, bem como para fortalecer uma alternativa, o movimento estudantil brasileiro decidiu por se integrar na construção da Marcha dos Trabalhadores e das Trabalhadoras, que vai ocorrer em São Paulo, no dia 18 de setembro. No dia seguinte, 19 de setembro, vamos realizar também um Encontro Nacional Sindical e Popular, para debater e apontar a continuidade das mobilizações. Dessa forma, convocamos o conjunto dos estudantes e das entidades estudantis, das universidades, institutos e escolas, públicas e privadas, a se somar nessa grande iniciativa de luta.
 
– Contra Dilma-PT, Cunha e Temer -PMDB e Aécio – PSDB;
 – Contra os cortes de Dilma na Educação! Derrotar o ajuste fiscal!
– Que os ricos paguem pela crise! Auditoria e suspensão do pagamento da Dívida Pública!
– Não à redução da maioridade penal! Não às alterações no ECA!
– Fora Cunha e todos os Corruptos!
– Não à Lei antiterrorismo! Lutar não é crime!
– Não ao genocídio da juventude negra! Desmilitarização da Polícia!
– Por uma alternativa política dos de baixo, dos trabalhadores, da juventude e do povo pobre! 
 
ANEL, Movimento Juntos!, Juventude Vamos à Luta, UJC, JCA, Alicerce, Coletivo Construção, RUA, Mutirão, UJR, Coletivo Outros Outubros, Coletivo Primavera Socialista e Frente de Esquerda da Bahia
 
FONTE: http://anelonline.com/