Moradores protestam por soluções contra enchentes

Polícia reprime população pobre que sofre com enchentes
Foto de celular

Nesta terça, 26, cerca de 400 moradores da região do Pantanal, na Zona Leste de São Paulo, fizeram uma manifestação contra as enchentes. A região, que fica à beira do Rio Tietê, é composta por vários bairros que estão alagados desde o início das chuvas, em 8 de dezembro e é o ponto mais crítico. Os moradores protestaram contra as atitudes que o governo vem tomando, que colaboram para o alagamento. Eles exigiram providências concretas para solucionar a situação.

A manifestação havia sido aprovada no dia anterior, em assembleia, pelos moradores que se reuniram por volta das 7h da manhã nos bairros Chácara Três Meninas e Parque Paulistano. Os moradores atearam fogo em seus móveis perdidos na enchente, bloqueando as ruas.

Na Chácara, onde estavam concentrados os manifestantes, a polícia e a tropa de choque foram acionadas para reprimir a manifestação, mas o subprefeito aceitou receber a população para evitar um confronto mais sério entre moradores e polícia.

No Parque Paulistano, havia aproximadamente trinta pessoas. A polícia conseguiu dispersar os manifestantes e levou dois militantes do movimento Terra Livre detidos, que foram liberados mais tarde. Os manifestantes se concentraram novamente e foram em passeata se juntar aos moradores da Chácara Três Meninas.

O subprefeito só apareceu na hora do almoço e foi recebido com vaias e gritos de protesto. Numa escola, onde estão alojadas mais de 20 famílias, ele ouviu as exigências dos moradores e se comprometeu a atender algumas reivindicações que poderia cumprir e cobrar providências do governador José Serra e do prefeito Gilberto Kassab.

Os moradores reivindicaram a abertura da Barragem da Penha, fechada pelo governo sempre que regiões centrais correm risco de ser alagadas, fazendo com que um grande volume de água fique acumulada na região do Pantanal. Além disso, exigem assistência básica de alimentação e saúde imediatas para as pessoas atingidas e novas moradias e indenização caso tenham de ser removidos. Caso o governo não cumpra estas exigências, prometeram voltar às ruas.

Governos mostram o descaso com população pobre
Coincidentemente, pouco antes das enchentes começarem, o governo do Estado tinha dado início ao projeto do Parque Linear Tiete, que supostamente teria como objetivo revitalizar aquela região do rio. Com isso, começou uma constante pressão para que os moradores próximos ao Tietê saíssem de suas casas. Desde aquele momento, não se tinha projetos ou informações claras de para onde essas famílias seriam removidas. Os moradores já protestavam para assegurar moradias para suas famílias.

Logo que começaram as chuvas, foi fechada a Barragem da Penha, impedindo o escoamento da água da região do Pantanal, e pararam parcialmente os serviços de tratamento de esgoto da região. Famílias foram removidas para prédios públicos, móveis e objetos domésticos estragaram, doenças, como leptospirose, se espalharam. Os postos de saúde omitem laudos e faltam remédios, mas algumas mortes foram noticiadas.

O governo barganhou uma bolsa-aluguel de R$ 300 por alguns meses, conhecida como bolsa-despejo pelo valor baixo e irrisório. Enquanto isso, empresas como a Bauduco, instaladas na região, poderão continuar no local.

A situação também mostra o fracasso do governo federal para resolver o problema habitacional e das enchentes. Lula havia cortado parte da verba destinada à prevenção de enchentes, e o programa de habitação “Minha casa, minha vida” não beneficia a população que ganha salários baixos, visto que a maior parte do programa é destinada às famílias com renda acima de três salários mínimos (R$ 1.400).