Moradores fecham ruas em bairro em São Bernardo e são agredidos pela polícia

Moradores fecham rua
Emmanuel Oliveira

Moradores dos bairros Jardim Floral, Jardim Industrial e Jardim Colina, em São Bernardo do Campo (SP), cansados de esperar pelas autoridades, partiram para a ação direta como a única forma de resolver os seus problemas. Na terça-feira, 6 de setembro, cerca de 800 moradores bloquearam uma rua por três horas, e foram reprimidos pela polícia.

São muitos os problemas na região: ruas sem semáforos, atropelamentos, casas desabando, esgoto a céu aberto, um enorme matagal próximo de uma creche, falta de iluminação, atendimento precário na unidade básica de Saúde, entre outros. Depois de várias tentativas frustradas de marcar uma audiência com o secretário de Obras, a única saída foi bloquear a Rua dos Vianas nos dois sentidos. Esta rua dá acesso ao Centro da cidade e é uma das rotas alternativas para o município de Santo André.

Uma moradora conta que a avenida não tem semáforo e os atropelamentos são constantes. Os mais atingidos são principalmente os filhos dos operários e os idosos. Os manifestantes também exigiram providências urgentes em relação às quatro casas que estão a ponto de desabar devido às chuvas dos últimos dias, na rua Francisco Medeiros, no bairro Jardim Floral. Os problemas afetam ainda outros três bairros, em uma região com mais de 40 mil moradores.

REPRESSÃO
Por conta do fechamento do trânsito por mais de três horas, houve confronto com a PM e dois dos manifestantes foram presos, sendo liberados depois de algumas horas, após negociação. Um dos responsáveis pelo protesto, Salvador Silva, o ‘Pepe´, operário da Mercedes Bens, foi detido por aproximadamente uma hora e meia. Segundo ele, “Este protesto é dos trabalhadores, dos estudantes e das donas de casa. Não queremos nenhum político corrupto no nosso movimento. Já estamos cansados do descaso da prefeitura. Eles só sabem levar dinheiro na cueca”. A repressão não adiantou. Os moradores prometem um outro protesto nesta semana. “Agora é assim: vamos fazer movimento até eles atenderem as nossas reivindicações”, conclui ‘Pepe´.