MML: Um encontro construído pela base

Cartaz oficial do encontro

Avança a organização do Primeiro Encontro Nacional do Movimento Mulheres em Luta. O encontro será realizado em Sarzedo (MG), nos dias 4,5 e 6 de outubro

O 1º Encontro Nacional do Movimento Mulheres em Luta (MML) será uma nova oportunidade de reunirmos a juventude que foi às ruas em junho e a classe trabalhadora que fez greves e paralisações nos dias 11 de julho e 30 de agosto.

O Encontro do MML já está em marcha. Diversos estados realizam plenárias, pré-encontros e encontros estaduais. Os encontros têm sido momentos fundamentais de estruturação do Movimento Mulheres em Luta nos estados, além de alavancar a convocação das mulheres trabalhadoras para o Encontro Nacional. Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Aracaju, Maceió, Juazeiro, Recife, São Luis, Natal, Teresina, Santos, Rio de Janeiro, São José dos Campos, Belém e Florianópolis já realizaram suas plenárias e encontros.

Em todos esses pré-encontros estiveram presentes mulheres trabalhadoras da construção civil, metalúrgicas, professoras, bancárias, funcionárias públicas, estudantes, petroleiras, donas de casa etc. Algumas das participantes são dirigentes de seus sindicatos e boa parte delas são trabalhadoras da base, que provavelmente tiveram como primeira atividade política a participação nos encontros regionais.

Isso demonstra o efeito positivo de uma tática organizativa e de luta para mobilizar um setor da classe trabalhadora que é mais difícil de mobilizar: as mulheres trabalhadoras. Essa dificuldade existe não porque as mulheres sejam mais fracas e frágeis, mas porque somos mais exploradas e oprimidas.

Um Encontro que vai reunir as lutas
Apesar dessa dificuldade, também é fato dizer que, quando as mulheres trabalhadoras se mobilizam, as lutas ganham muito mais força. Esse é o exemplo que vimos na greve da construção civil de Belém. Assim também acompanhamos na heroica greve da saúde do Rio Grande do Norte. A greve da Educação do Rio de Janeiro também é categórica no sentido de mostrar que as mulheres podem e devem estar a frente das mobilizações, o que confere uma força especial a essas greves e lutas. A força das mulheres jovens também foi visível nas massivas mobilizações da luta contra o aumento da passagem em junho.

Todas essas lutas estarão presentes no encontro do primeiro final de semana de outubro.

CSP-Conlutas e sindicatos organizam o apoio ao encontro
Na última reunião da Secretaria Executiva Nacional ampliada, a CSP-Conlutas discutiu seu envolvimento na preparação do Encontro. É muito importante que os sindicatos entrem com força na construção política do Encontro Nacional, realizando atividades para fortalecer a convocação das mulheres de suas bases. O debate na reunião compreendeu que essa necessidade existe porque além da importância do Encontro em si, e do fortalecimento do MML, a luta pela incorporação das mulheres nas lutas e nas direções sindicais é importante para o fortalecimento dos Sindicatos e da própria CSP- Conlutas.

Iniciativas
Pelo país, as “Feijoadas do MML” tem sido as principais formas de arrecadação financeira. O MML segue primando pela independência financeira, buscando financiamento através de suas atividades e pela relação política com as entidades da classe. Essa é uma forma de seu comprometimento político seguir sendo apenas com a luta das mulheres trabalhadoras.

O MML e a reorganização
A abertura de um novo momento de lutas no país permite dizer que há um enorme espaço para construção do encontro na base das categorias e dos movimentos populares organizados. É por isso que a Executiva Nacional do MML estima a presença de 1.000 mulheres no encontro. Uma grande demonstração de força do MML e das lutas das mulheres trabalhadoras.

O encontro do MML é parte de um processo vivo de reorganização que foi incendiado pela retomada das lutas no país. É por isso, que este encontro quer contar com a presença de entidades e organizações que protagonizam importantes debates sobre o processo de reorganização do movimento sindical, popular e estudantil. Em sua mesa de abertura, o encontro vai contar com a presença de Lola, do Blog “Escreva, Lola, escreva”, que ganhou repercussão nos embates com os comentários machistas dos comediantes Rafinha Bastos e Danilo Gentili.

Presença internacional
Está confirmada a participação de Soma Marik, ativista indiana, professora universitária que é parte da luta contra os estupros no país. Com sua presença, temos a expectativa de encaminhar uma grande campanha classista no Brasil e em nível internacional contra a violência às mulheres.

A violência do Estado
Está confirmada a presença de Elisabeth, esposa de Amarildo, o pedreiro da construção civil, morador da Rocinha que há dois meses está desaparecido e foi visto pela última vez sendo abordado pelos PMs da UPP da Rocinha. Elisabeth vai nos contar sobre sua luta, que virou uma luta de todo o país e com isso demonstrar que o Estado brasileiro segue sendo muito cruel com a classe trabalhadora, o que tem forte impacto sobre as mulheres trabalhadoras.

Publicado originalmente no Opinião Socialista 468

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