PSTU Minas Gerais

Iniciamos este texto declarando nosso repúdio às declarações de Zema, liberando a reabertura das escolas e às declarações de Bolsonaro que, além de defender a reabertura das escolas, atacou mais uma vez os trabalhadores em educação.

Estamos passando por um momento difícil de dúvidas e incertezas sobre a pandemia. Depois de seis meses de escolas fechadas, é normal que algumas famílias comecem a fazer pressão pelo retorno às aulas presenciais e muitas vezes o fazem por necessidade. Afinal, as escolas representam a única política pública de atendimento às crianças e adolescentes  efetiva em nossa cidade.

Mas não é o momento de abertura das escolas e o debate não são os protocolos. Essa discussão de protocolos está sendo usada pelos donos de escolas privadas e por alguns governos para embasar a defesa da volta às aulas agora.

Não interessa às famílias trabalhadoras a volta às aulas, pois serão as mais expostas e as que correrão os maiores riscos de terem familiares contaminados pelo coronavírus. É preciso termos uma posição firme quanto a isso. Portanto, declaramos nosso repúdio às declarações de Zema, liberando a reabertura das escolas, e as declarações de Bolsonaro, que além de genocidas pela defesa da reabertura das escolas, atacaram mais uma vez os trabalhadores em educação.

Discutir protocolos é um equívoco

Discursos que tentam mediar e agradar a todos não nos servem.  Nossa defesa é pela manutenção das escolas fechadas, mesmo sabendo que teremos um enorme prejuízo pedagógico. Temos que atuar para diminuir a ansiedade, refletindo sobre um trabalho pedagógico na pós-pandemia, que minimize os efeitos da suspensão do calendário letivo por tanto tempo.

As crianças, adolescentes, jovens e adultos serão capazes de recuperar o ano escolar de 2020. As lições aprendidas na pandemia serão ressignificadas e a dificuldade vivida poderá se transformar num elemento novo na aprendizagem escolar. Mas vidas perdidas não se recuperam.

Não existem protocolos possíveis para o retorno neste momento. O Estado e as Prefeituras precisam investir fortemente em infraestrutura para uma reabertura das escolas quando houver segurança. Neste momento, é urgente atacar a exclusão digital em que se encontram os estudantes e também os trabalhadores em educação, ampliar a estrutura física, construir novas escolas e realizar novos concursos para profissionais em educação.

Além de manter as escolas fechadas, mesmo contra a vontade de Zema, o mensageiro da morte, Kalil tem que parar de transferir recursos para a iniciativa privada e ampliar os recursos para educação pública estatal.  As Secretarias de Educação precisam tomar definições, apoiar as escolas, “colocar a cara a tapa”, garantir condições para que o contato com as famílias seja 100 % possível, sem deixar ninguém pra trás e para estabelecer os vínculos com os estudantes, tão importantes neste momento.

Sabemos que o Ensino Remoto Emergencial implementado é uma verdadeira tragédia, além de excludente, não garante a aprendizagem. Mas não podemos, em hipótese alguma, defender a reabertura das escolas este ano.

Estudos sérios e a experiência de outros países mostram que a reabertura das escolas representará uma nova onda de contágio. Sabemos bem que os trabalhadores estão expostos ao contágio nos transportes públicos, no trabalho cotidiano, em lugares aglomerados. Portanto, a abertura das escolas significaria a ampliação dos contágios e das mortes, principalmente entre os mais pobres.  Portanto, defender as escolas fechadas neste momento é defender a vida!

Lamentamos a posição da candidata à prefeita de Belo Horizonte, Áurea Carolina (PSOL), publicada no jornal O Tempo, em que defende a construção de protocolos para um possível retorno das escolas. Não podemos vacilar neste momento! Discutir protocolo nesse momento é um grande equivoco, só corrobora com a politica genocida de Zema de volta às aula.

Escolas Fechadas, vidas preservadas. Precisamos de firmeza na defesa da vida!