Militares israelenses se negam a manter a opressão contra palestinos

[21/12/2003] Um grupo de 15 reservistas de uma unidade de elite do Exército israelense se negou a realizar missões nos territórios palestinos ocupados, em uma carta enviada ao primeiro-ministro Ariel Sharon. “Não daremos mais nossa vida pela opressão nos territórios e pela negação dos direitos humanos de milhões de palestinos, e não serviremos mais de escudos nas colônias judias nestes territórios“, subscreveram.

Os reservistas da Sayeret Matcal, unidade especializada em operações de comando no exterior de Israel, afirmaram que não participarão mais na “opressão“ dos palestinos nem na defesa das colônias judias nos territórios, informou a televisão privada israelense.

Não é a primeira vez que elementos das forças armadas se negam a realizar missões nos territórios palestinos. Há meses, 25 pilotos militares israelenses assinaram uma petição dirigida ao comandante em chefe da força aérea, na qual se recusaram a executar tarefas de ataque nos territórios palestinos. Desde 25 de janeiro de 2002, um total de 52 oficiais e soldados de reserva do Exército deixaram de servir nos territórios palestinos.

MORTES E PRISÕES – Nas operações que o Exército israelense realizou hoje, 21 de dezembro, nos territórios ocupados, um menino de 5 anos foi morto com tiros por soldados no alcampamento de refugiados de Balata, próximo de Nablus, cidade cisjordana em que mais tarde um militante do Hamas foi preso.

O menor se encontrava na rua quando, segundo o Exército israelense, as forças enfrentaram os moradores de Balata, que tentaram resistir à incursão dos soldados. O Exército declarou que investigará as condições em que morreu o menor.

Pouco antes, o Exército deteve Adnan Asfour, importante chefe político do movimento palestino de resistência Hamas, quando se encontrava na casa de seus pais. Asfour já havia sido detido várias vezes pelos israelenses antes da atual intifada, que começou em setembro de 2000, e também esteve preso por dois anos ao ser detido pela Autoridade Nacional Palestina (ANP). Hamas declarou que Asfour é membro da ala política e que não possui relações com Ezedin al Qassam, a ala militar da organização.

Também na faixa de Gaza ocorreram missões das tropas israelenses, que derrubaram dois edíficios na cidade de Rafah, próxima à fronteira com o Egito, e que supostamente eram utilizados como ponto inicial de um túnel para contrabando de armas.

Na fronteira entre Israel e Egito, um soldado egípcio integrante das forças de segurança centrais foi morto a tiros por um grupo de pessoas que tentavam infiltrar-se desde Israel, indicou a televisão árabe Al Jazeera.

* com agências internacionais