Metroviários de São Paulo decretam greve a partir desta quinta-feira


Funcionários do Metrô propuseram liberar a catraca como alternativa à paralisação, mas governo Alckmin não aceitou

Os metroviários lotaram a quadra do sindicato na noite desse 4 de junho na assembleia que decretou greve por tempo indeterminado a partir das 0h desse dia 5, quinta-feira. Foi a única alternativa encontrada pelos trabalhadores diante da intransigência da direção da empresa e do governo de São Paulo em negociar as reivindicações dos trabalhadores. “Greve, greve, greve” gritavam as mais de duas mil e quinhentas pessoas presentes na assembleia, repetindo o que estava nos cartazes que levantavam.

Mostrando a disposição da categoria de partir para a paralisação, a única proposta apresentada para a assembleia foi greve por tempo indeterminado, sendo aprovada por unanimidade pelos metroviários. Os funcionários do Metrô haviam proposto ao governo liberar as catracas como forma alternativa de protesto e para não prejudicar a população, mas Alckmin não aceitou.

Transporte não é mercadoria, a nossa luta também é a luta da população por transporte melhor e mais acessível”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metroviários e militante do PSTU, Altino Prazers. “Um menino da Zona Sul não pode namorar uma garota da Zona Leste porque não tem dinheiro para a passagem“, exemplifica, reafirmando que os metroviários são parceiros da população.

O clima geral na assembleia era de indignação com o governo e também com os gastos da Copa do Mundo. “Se tem dinheiro para a Copa, se tem dinheiro para o Itaquerão, porque não tem dinheiro para o metrô?“, questionou Altino, sendo muito aplaudido. Altino criticou a situação precária do metrô paulista. “Na pane que houve em feveiro, quem se ferrou foi o trabalhador, os seguranças que quase foram agredidos, mas a culpa não é nossa e nem da providência divina, é do governo“, denunciou. “Mas aí quando a gente parar, não vai ser o PSDB quem vai dirigir os trens“, ironizou, conclamando a unidade da categoria nesse movimento paredista.

Zé Maria, pré-candidato do PSTU à presidência, marcou presença na assembleia e prestou apoio à luta dos metroviários. “Essa luta de vocês não é só pra acabar com o sufoco dos companheiros metroviários, mas principalmente para acabar com o sufoco do dia-a-dia da classe trabalhadora“, afirmou. Zé afirmou ainda que a greve dos metroviários não ocorre só, mas se junta a todas as lutas da classe trabalhadora que ocorrem neste momento. Movimentos e entidades como a ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes Livre).  O MPL (Movimento Passe Livre) e MML (Movimento Mulheres em Luta) também estiveram na assembleia prestando solidariedade aos metroviários.

Chega de sufoco!
A última proposta que a direção do metrô e o governo estadual apresentaram na audiência de conciliação do Tribunal Regional do Trabalho nesse dia 4, de 8,7% de reajuste, avançava nem 1% no que foi apresentado e rejeitado na semana passada. Já os metroviários, a fim de resolver o impasse e rejeitar a greve, baixaram a reivindicação inicial de 35,7% de reajuste para 16,5%. O governo e a empresa, no entanto, mantiveram-se intransigentes. “Essa proposta apresentada pela empresa está muito aquém do que reivindica a categoria e muito abaixo do que conquistaram outros trabalhadores, como os rodoviários, que tiveram 10%“, afirma Altino.

A luta dos metroviários é ainda contra a superlotação dos vagões, pela ampliação das linhas e a contratação de novos funcionários. Isso só vai acontecer estatizando as empresas que exploram os serviços de transporte, revertendo o que hoje vai de lucro às empresa para investimentos na ampliação e melhoria do Metrô. “O PSTU defende que haja investimento público sob controle dos trabalhadores, mas tem que ser estatal, reverter a lógica do setor privado, porque a lógica do setor privado não é atender bem a população, é lucrar. Por isso o metrô de São Paulo tem superlotação, o máximo de pessoas por metro quadrado, e a nossa lógica é a inversa, é ter um atendimento melhor, e para isso precisa de dinheiro, e o dinheiro está aonde? Nas grandes empresas, os grandes beneficiários do transporte de pessoas” explica Altino Prazeres.