Depois de um longo período marcado pela pandemia e a necessidade de distanciamento social, começa a haver a retomada de eventos para reunir presencialmente a vanguarda dos trabalhadores para a organização de suas lutas.  Foi o que ocorreu com os metalúrgicos de São José dos Campos e região que, entre os dias 27 a 29 de maio, realizaram seu XIII Congresso.

Na Colônia de Férias da entidade, em Caraguatatuba (SP), estiveram reunidos 89 delegados de 21 fábricas da categoria mais aposentados e dezenas de observadores, convidados e familiares.

Com o tema “Organizar a luta por empregos, direitos e um Brasil dos trabalhadores”, o Congresso foi organizado com meses de antecedência, tendo sido precedido de reuniões na base, debates e eleição dos delegados (as) nas fábricas. Foi atravessado ainda pelo forte processo de lutas que ocorre na categoria desde o início deste ano.

Assim, tiveram destaque as delegações de operários (as) fábricas como Caoa Chery, Avibras e MWL, que travam fortes mobilizações por empregos e direitos, sem falar de outras categorias que participaram como convidados, como os metalúrgicos da CSN de Volta Redonda, Metroviários de SP e outros.

Conjuntura, lutas e organização pela base

Os operários e operárias discutiram diversos temas como conjuntura nacional e internacional, democracia operária, organização de base, luta contra as opressões, entre outras, e ao final votaram as resoluções que definiram os rumos do Sindicato e da categoria para o próximo período.

Uma mesa de debate sobre a conjuntura internacional, composta por Maríucha Fontana (PSTU), Babá (CST-PSOL) e Gibran (Resistência-PSOL ) foi muito concorrida e trouxe subsídios para as resoluções aprovadas .

O repúdio à invasão da Rússia à Ucrânia foi um dos pontos altos das discussões, até porque os metalúrgicos têm enviado solidariedade ativa aos ucranianos. O trabalhador da Embraer e diretor do Sindicato Herbert Claros participou do Comboio Operário de Solidariedade à Resistência Ucraniana que esteve no país no final de abril.

A resolução internacional aprovada por ampla maioria também exigiu a libertação dos presos políticos de Cuba, bem como a continuidade da ação internacionalista do Sindicato junto com a CSP-Conlutas e a Rede Internacional de Solidariedade e Lutas.

Sobre as eleições

Incentivar e dar atenção às candidaturas que mantêm independência de classe

A necessidade de apoio e unificação das lutas e a exigência às centrais sindicais para não se submeter ao calendário eleitoral e trabalhar para construir uma Greve Geral no país foi outra resolução central do congresso operário.

A proposta de apoio à candidatura de Lula/Alckmin no 1° turno apresentada por militantes da corrente Resistência-PSOL obteve apenas 8 votos, sendo vitoriosa a tese apresentada pela diretoria do Sindicato que defendeu que não basta tirar Bolsonaro (PL) e manter o mesmo projeto liberal também adotado pelo PT.

“A chapa Lula/Alckmin não é solução, pois significa reafirmar um projeto de unidade nacional com a burguesia e o grande capital estrangeiro. É impossível enfrentar a crise e defender os interesses da classe trabalhadora e do povo pobre sem enfrentar as grandes empresas e os super-ricos. Isso se faz contra eles e não governando com eles”, diz trecho da resolução aprovada.

Sobre as eleições, os metalúrgicos aprovaram resolução que afirma: “no processo eleitoral, incentivar os(as) trabalhadores(as), além de se contrapor a Bolsonaro, a construírem um programa que parta de suas necessidades e aponte para a ruptura com o sistema capitalista e para a construção de uma sociedade socialista. Incentivar e dar atenção às candidaturas que mantêm independência de classe em relação aos patrões e governos, como as do Polo Socialista e Revolucionário”.

O Congresso aprovou ainda resoluções para avançar a organização no local de trabalho, sobre democracia operária, as lutas das mulheres, de combate ao racismo e a LGBtfobia, em defesa dos aposentados, cultura e para avançar a reorganização do movimento com o fortalecimento da CSP-Conlutas.

Polo Socialista Revolucionário

Debates sobre uma saída para o país

Durante um dos intervalos do Congresso, vários trabalhadores e ativistas participaram de uma plenária realizada pela militância do PSTU, com a presença do metroviário Altino, pré-candidato do PSTU e do Polo Socialista para governador de São Paulo, para discutir um programa socialista para o estado.

Na plenária, Weller Gonçalves, presidente do Sindicato que está à frente das lutas da categoria, informou que na próxima semana faria a desincompatibilização da entidade por exigência legal, pois é pré-candidato a deputado federal pelo PSTU. Mas reafirmou que seguiria nas lutas. O plenário reagiu aos gritos “au, au, au Weller é federal”. Horas depois, os trabalhadores receberiam a notícia do cancelamento das demissões na Caoa Chery obtido na justiça pelo Sindicato, o que fez a comemoração contagiar a todos.

Mais de uma dezena de operários (a)s também se filiaram ao partido durante o evento.

Os intensos debates realizados mostraram a existência de uma vanguarda que, além das lutas imediatas, também discute uma saída para o país e para a barbárie que atinge o mundo, apontando uma referência classista e combativa para outros encontros de categorias marcados ainda este ano.