Metalúrgicos de São José dos Campos enviam carta e pedem audiência com Lula

Campanha da Conlutas pela estabilidade no emprego é resposta ao agravamento da crise econômica. General Motors também recebeu cartaO Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e a Conlutas deu mais um passo na campanha em defesa da estabilidade do emprego, que tem o lema “demitiu, parou”. Nesta terça-feira, dia 25, foram enviadas cartas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e para a unidade da General Motors em São José dos Campos, exigindo a estabilidade no emprego, sem nenhuma demissão.

Na carta a Lula, o presidente do Sindicato, Adilson dos Santos, solicita a assinatura de Medidas Provisórias, em caráter de urgência, que assegurem o emprego dos trabalhadores por, no mínimo, um ano, e redução da jornada de trabalho sem redução de salários e sem banco de horas. O sindicato também solicita uma audiência, com os ministros do Trabalho, da Fazenda e do Planejamento.

Na carta ao gerente de assessoria legal trabalhista da GM, o sindicato pede uma reunião urgente para que sejam discutidas questões relativas à manutenção de empregos existentes, a situação dos trabalhadores licenciados do setor de Fundição de Alumínio e outros assuntos de interesse da categoria.

Sinais da crise
A campanha em defesa da estabilidade baseia-se em fatos que vêm preocupando os trabalhadores da região e de todo o país. As férias coletivas já atingem mais de 5 mil trabalhadores da GM em São José dos Campos, demissões que começam a acontecer em algumas empresas e licença-remunerada são vistas como um prenúncio do que está por vir nas próximas semanas. Em todo o país, os trabalhadores que perderam o emprego em decorrência da crise já são alguns milhares.

“O sindicato está se antecipando diante do agravamento da crise que, sem dúvida, penalizará o trabalhador, como sempre ocorre nestes momentos. Governo e empresas precisam agir já”, afirma o presidente do Sindicato, Adilson dos Santos, o Índio.

O Sindicato também tem realizado uma série de assembléias na categoria para discutir a situação com os trabalhadores. A palavra de ordem é: demitiu, parou. O repúdio a qualquer demissão e a reivindicação pela estabilidade no emprego e pela redução da jornada, sem redução de direitos estão sendo votados por unanimidade pelos trabalhadores nas assembléias. “Nosso objetivo é preparar desde já a mobilização da categoria. Os trabalhadores não vão pagar por essa crise”, afirmou Índio.

Nenhuma ajuda a banqueiros e empresários
A campanha pela estabilidade é uma campanha da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas) e pretende organizar trabalhadores de todos as categorias, além de estudantes e movimentos urbanos e rurais. A Conlutas, além de defender a estabilidade imediata nos empregos, aprovou um programa em sua reunião nacional, oferecendo uma saída dos trabalhadores para a crise.

A Conlutas condena a ajuda que os governos Lula e Serra deram às montadoras, de R$ 8 bilhões. Esse valor é menor do que as empresas enviaram ao exterior esse ano, para aliviar a crise de suas matrizes. Enquanto alegam redução nas vendas para ameaçar com demissões e receber dinheiro público, seguem enviando os lucros para fora.

  • VEJA ABAIXO A CARTA ENVIADA AO PRESIDENTE LULA
    Reprodução da carta enviada ao presidente