EUA queimam US$ 300 bilhões para salvar Citigroup

Dívida pública norte-americana já ultrapassa os 10 trilhões de dólaresMais um banco contou com a ajuda do governo norte-americano para escapar da falência. Desta vez, o Citigroup, maior conglomerado financeiro do país e controlador do Citibank, um dos maiores bancos dos EUA, recebeu um pacote bilionário de ajuda do governo Bush. A medida foi articulada e fechada na noite do último dia 23, em pleno domingo, sendo autorizada pessoalmente por Bush.

Enquanto o desemprego e o número de famílias endividadas e despejadas de suas casa crescem exponencialmente, o governo destina bilhões para salvar a instituição financeira. O pacote de salvamento inclui a “estatização” de títulos podres, numa operação que vai despender 306 bilhões de dólares do governo, além de um investimento direto de 20 bilhões.

Na semana anterior à ajuda, o valor do banco caiu mais de 60%. Só em 2008, o valor da instituição despencou 80%. Em outubro o governo já havia gasto 25 bilhões com o banco. Com essa mais nova injeção de recursos públicos no caixa do banco, o governo norte-americano se torna o maior proprietário do Citigroup, com 7,8% de suas ações.

O banco já demitiu 23 mil funcionários desde o início da crise. No Brasil, o Citibank emprega 6.184 funcionários e ainda não se sabe quantos serão demitidos. O banco, no entanto, já afirmou que vai adequar seu quadro de empregados à “realidade do mercado”. Considerando que o banco planeja de imediato reduzir 20% do total de seus funcionários, isso dá mais de 1.200 bancários considerando o quadro de empregados no país.

À beira do precipício
Segundo a rede de TV financeira CNBC, o governo norte-americano já gastou 5,4 trilhões de dólares desde o início da crise financeira e econômica. O grosso desses recursos para salvar banqueiros e investidores, em nome da saúde do mercado financeiro.

O montante de recursos gastos pelo governo dos EUA dá uma pequena amostra da gravidade da crise. Tem-se mostrado até agora, contudo, insuficiente para conter a recessão, ao mesmo tempo em que aumenta a dívida pública do país. Hoje a dívida total dos EUA está em impressionantes 10,6 trilhões de dólares, 76% de todo o PIB do país.

Enquanto isso, avançam os sinais de recessão no coração do capitalismo. Foi anunciado no dia 25 o resultado do PIB no terceiro trimestre do ano. A economia do país retraiu 0,5% de julho a setembro, a maior queda desde 2001. Mais um trimestre de crescimento negativo e os EUA estarão oficialmente sob uma recessão.

Os dados, porém, já apontam uma séria recessão. No mesmo período, os gastos dos consumidores norte-americanos despencaram 3,7%, o pior resultado desde 1980.

Desespero
Apenas dois dias após o anúncio da ajuda bilionária ao Citibank, os EUA divulgaram mais um pacote de estímulo à economia. Agora, serão mais 800 bilhões de dólares a fim de descongelar o crédito. Os recursos serão transferidos aos bancos que ofereçam crédito na forma de cartões de crédito ou financiamentos a pequenas empresas e consumidores em geral.

No Brasil, o governo Lula liberou R$ 160 bilhões em compulsório aos bancos a fim de ter o mesmo efeito e a única coisa que aumentou foi o lucro das instituições financeiras e os juros. Mesmo caminho segue a União Européia, que anunciou pacote de 200 bilhões de euros a fim de debelar a crise, mas esbarra em divergências entre os países que compõem o bloco.

Ao mesmo tempo, a economia do Reino Unido entra oficialmente em recessão, após registrar dois trimestres seguidos de crescimento negativo. Assim, o país faz companhia à Alemanha, França, Itália e toda a Zona do Euro, que assistem suas economias retraírem apontando uma grave recessão global.