Mercenários, procura-se

Uma das conseqüências da ocupação colonial do Iraque foi que esse país se transformou em uma das maiores fontes de trabalho para os mercenários de todo o mundo. Informe de ZNet Iraq Solidaridad mostra que atualmente há mais de 30 mil “especialistas em segurança privada”, o que os transforma na segunda força militar estrangeira no país. Os principais são as empresas americanas, como Bechtel e Halliburton, que alugam exércitos privados para proteger seus investimentos e o saque do petróleo e as riquezas iraquianas. Os salários mensais vão de US$ 7 mil a 30 mil e incluem “benefícios” como férias pagas na Europa a cada três meses. Além disso, os “especialistas” podem exercitar livremente todos os seus “conhecimentos” como repressores, assassinos e torturadores, colaborando com as tropas invasoras. Sua presença nas torturas em Abu Graib e na repressão a revoltas populares, como em Faluja, tem sido denunciada. A Aegis Defense Systems é uma das empresas mais importantes entre as que prestam esse tipo de “serviço”. Em junho de 2004, ela foi premiada pelas autoridades americanas com um contrato de US$ 300 milhões para proteger a Zona Verde de Bagdá e coordenar as atividades de todas as empresas privadas de segurança que operam no Iraque.

Além dos EUA e da Inglaterra, a África do Sul é o principal país provedor desses “experts”, com cerca de 5 a 10 mil homens. Os preferidos são aqueles que estiveram nas forças especiais de elite na época do apartheid, de reconhecida brutalidade e capacidade repressiva, e com muita experiência como mercenários na África e outros continentes. Além dos sul-africanos, as empresas contrataram pessoal relacionado ao ditador chileno Pinochet, com o criminoso de guerra iugoslavo Milosevic, pessoal de segurança israelense e de outros países da América Latina. Como vemos, todos com grande experiência!

Nem tudo, porém, são altos salários, férias e possibilidades ilimitadas de aplicar os “conhecimentos profissionais”. Os riscos são muitos, porque há pela frente um povo que luta heroicamente. Por exemplo, em janeiro, uma bomba em Bagdá matou François Strydom e mutilou Deon Gouws, ambos sul-africanos. Agora Gouws está tentando convencer os sul-africanos a não irem para o Iraque. Em uma entrevista recente declarou: “Ir ao Iraque é assinar uma sentença de morte, é o inferno; as pessoas não nos querem, não há dinheiro que pague isso”. Com certeza, os próximos contratos dos mercenários terão de incluir um seguro de vida.

Post author Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (www.litci.org)
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