Manifesto contra a ditadura dos grandes meios de comunicação

Como é sabido, todo partido, independentemente da magnitude de sua representação parlamentar, pode apresentar candidatos à presidência da República e governos dos Estados. Porém, o tratamento dado pela grande imprensa escrita, falada e televisiva aos candidatos à presidência da República e governos dos Estados tem sido extremamente desigual e antidemocrático.
Assim, de fato, a grande imprensa está antecipando a reforma política, na medida em que determina a existência de candidatos de primeira e segunda classe, dos que têm espaço para divulgar seus programas de governo e dos que não o têm. E, o que é mais grave, faz isso baseada tão somente em pesquisas de opinião, que medem apenas a tendência do eleitorado.
No caso das candidaturas a presidência da República isto é gritante, na medida em que somente Serra, Lula, Ciro e Garotinho tem espaço para a participação em debates, são convidados para entrevistas, tem sua agenda divulgada diariamente e aparecem em todas as pesquisas de opinião. O problema aqui é que não há somente quatro, mas seis candidatos à presidência da República. Além das já citadas anteriormente há a de José Maria de Almeida, do PSTU e a de Rui Costa Pimenta, do PCO.

Os debates dos candidatos a presidente e vice na Rede Bandeirantes de Televisão; as entrevistas dos candidatos a presidente nos jornais Nacional e da Globo, na Rede Globo de Televisão; as entrevistas dos candidatos ao governo de São Paulo no noticiário SP-TV nesta mesma emissora; a sabatina com os candidatos a presidência patrocinada pelo jornal Folha de São Paulo; a não divulgação da agenda de todos os candidatos à presidência e governos dos Estados nas emissoras de TV e rádio e em jornais de grande circulação como a Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo; e a não divulgação do percentual de todos os candidatos em boa parte das pesquisas de opinião são exemplos que demonstram o que afirmamos anteriormente. Em todos estes eventos, os candidatos do PSTU, em particular, foram excluídos de participar ou, no mínimo, não convidados.

Tudo isto é muito grave pois, desta forma, o eleitor é privado de informação, na medida em que não toma conhecimento de todos os candidatos, partidos e programas que concorrem nestas eleições. Os trabalhadores e o povo deste país tem todo o direito de saber tudo sobre todos os candidatos a presidente da República e governos dos Estados. Nenhum meio de comunicação tem o direito de sonegar informações. E, ao agir desta forma, tais meios acabariam exercendo, na prática, uma censura política, impondo uma ditadura disfarçada.

Os que subscrevem este texto, entidades dos movimentos sociais e indivíduos, exigem de todos os meios de comunicação de massas tratamento igual para todos os candidatos à presidência de República e governo dos Estados, desde a garantia do convite para debates e entrevistas, a divulgação de suas agendas, dos seus percentuais nas pesquisas de opinião ou quaisquer outro espaço concedido aos candidatos melhor localizados nas pesquisas de opinião.

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