Mais um sindicalista é assassinado na Venezuela

Argenis em entrevista a rede de TV
Reprodução

Destacado dirigente sindical da Toyota é morto a balas engrossando a lista de sindicalistas assassinados sob o governo ChávezO secretário de organização do Sindicato de Trabalhadores da Toyota (Sintratoyota), Argenis José Vásquez Marcano, 33 anos, foi assassinado na manhã do dia 4 no estacionamento do edifício em que residia na cidade de Cumaná, no Estado venezuelano de Sucre, 450 quilômetros a Leste de Caracas. Segundo testemunhas, um homem armado saiu de uma camionete Cherokee e disparou contra a cabeça do sindicalista.

De acordo com o secretário geral de Sintratoyota, Richard Guevara, Vásquez já tinha sofrido ameaças de morte. “No último domingo – relata Guevara – ele estava nervoso e chamou vários amigos para que o acompanhassem. Mas não sabemos de onde vinham tais ameaças”.

Quando souberam do assassinato, trabalhadores da planta da Toyota realizaram uma ação de protesto ocupando a fábrica. Na ação os trabalhadores incendiaram veículos e tomaram de assalto o escritório de recursos humanos da empresa, onde agrediram o gerente de recursos humanos, Carlos Castillo.

Os dirigentes sindicais José Bodas, Iván Freites e Orlando Chirino da Corrente Classista, Unitária, Revolucionária e Autônoma (C-cura) denunciaram mais o assassinato de um sindicalista no país sob o governo Chávez. Os dirigentes chamaram os trabalhadores da Toyota a manter sua mobilização e sua luta até que se descubra o paradeiro dos responsáveis pelo crime.

“Não basta com pedir investigação, porque já sabemos que tudo fica coberto com o manto da impunidade, como vem sucedendo com o assassinato de nossos camaradas Richard Gallardo e Luís Hernández, ou como sucede com os camaradas de Mitsubishi ou o caso do dirigente estudantil do Iute no estado Mérida”, afirmou a corrente em nota.

Argenis trabalhava na Toyota de Cumaná há seis anos. No ano passado foi eleito secretário de organização de Sintratoyoto e teve um papel destacado na defesa dos direitos dos trabalhadores. O sindicalista era parte de uma nova camada de dirigentes sindicais classistas provenientes do setor automotriz e esteve à de uma ocupação da empresa, ocorrida nos dias 6, 7 e 8 de março.

O assassinato de Argenis é mais um entre outros crimes cometidos contra dirigentes sindicais sob o governo Chávez. Ainda estão frescas as notícias do assassinato de três dirigentes sindicais no Estado Aragua, a morte de dois trabalhadores da Mitsbishi no Estado Anzoátegui e outras dezenas de dirigentes camponeses assassinados. O que une todos esses crimes é o fato das investigações não terem dado resultado algum. Tantos os executores como os mandantes seguem na mais repugnante impunidade.

Não basta apenas repudiar mais esse abominável episódio. É preciso exigir do governo o esclarecimento imediato do assassinato e punição exemplar de todos os envolvidos. Por fim, é preciso apoiar toda a ação de protesto e indignação dos trabalhadores da Toyota, que exemplarmente repudiaram mais este contundente ataque ao movimento operário venezuelano.