Lutando contra a discriminação sem medo de ser diferente

Aproximam-se as Paradas do movimento LGBT (lésbico, gay, bissexual e transgênero) e o PSTU, partido que luta pelo fim de toda a forma de opressão e exploração, organiza-se para levar seu recado às manifestações. O dia do Orgulho LGBT surgiu em referência a um fato ocorrido em 1969, quando a polícia de Nova York entrou em um bar gay, como de rotina, para humilhar e agredir os freqüentadores. Cansadas das constantes revistas e humilhações, as pessoas neste dia resolveram agir contra a discriminação que sofriam, ao invés de assistir passivas aos ataques dos policiais. Numa reação conjunta, encurralaram a polícia dentro do bar, montaram barricadas nas imediações e resistiram por vários dias em uma verdadeira batalha campal. O movimento LGBT atual nasce daí. A partir desse ano, o 28 de junho é símbolo de luta e comemoração em cada vez mais países.
O PSTU se coloca a serviço de toda e qualquer luta contra a miséria e discriminação que atingem os trabalhadores e a maioria do povo. A luta de LGBTs contra a opressão não é diferente.
A esquerda socialista sempre esteve vinculada à luta contra o grande capital, que acorrenta as massas trabalhadoras à lógica da exploração a serviço do lucro de um punhado de magnatas. Mas, infelizmente, não tinha olhos, nem dedicava parte de sua análise e respostas políticas para intervir contra as diferentes e múltiplas formas de opressão que violentamente atingem negros, mulheres, gays, lésbicas e travestis. Estas formas de opressão são utilizadas ideologicamente no capitalismo para dividir e humilhar uma parcela importante da classe trabalhadora, buscando assim impedir que vire a mesa do jogo, subordinando-a mais ainda devido à cor de sua pele, a sua condição de mulher ou orientação sexual.
Os regimes autoritários da antiga União Soviética e de Cuba são um exemplo de que a luta contra o preconceito e a discriminação são fundamentais na construção do verdadeiro socialismo. Nestes países, as revoluções que aboliram preconceitos, discriminação e exploração foram derrotadas pelas burocracias que roubaram as rédeas do poder das mãos dos trabalhadores e construíram uma casta dirigente que não admitia críticas ou oposição. Todas as vozes contrárias às suas decisões eram imediatamente caladas por cooptação e suborno, ou mesmo pela eliminação física. Não é esta, de forma alguma, a sociedade que queremos construir. O socialismo só é possível com o fim de toda a forma de exploração e discriminação.
O PSTU possui uma Secretaria de Gays, Lésbicas e Bissexuais desde a sua fundação, em 1994. A Convergência Socialista, a maior das organizações revolucionárias que deram origem ao PSTU, também tinha a sua Fração Homossexual e teve participação ativa na fundação do primeiro grupo de luta pelos direitos dos homossexuais no Brasil, o Somos, na década de 70, que nasceu da luta contra a ditadura militar, ao lado dos sindicatos e organizações dos negros, das mulheres e da juventude.
A primeira manifestação do 28 de junho em São Paulo foi organizada conjuntamente entre o Grupo de Gays e Lésbicas do PSTU, do PT e o Corsa (maior grupo gay e lésbico da cidade). Hoje há manifestações em diversas cidades do país. Em Belo Horizonte, a primeira marcha foi chamada pelo PSTU e para este ano estão sendo esperados cerca de 30 mil manifestantes. Isso mesmo, “manifestantes“! O Dia do Orgulho LGBT de Belo Horizonte é um dos mais politizados do país. Em Belo Horizonte, a festa do orgulho também é uma ferramenta de luta contra a discriminação. Todos os grupos, independentemente de suas posições e convicções políticas decidem conjuntamente o caráter do ato. O que não acontece em São Paulo, onde militantes do PT fundaram a Associação da Parada e afastaram grupos oponentes das decisões que são tomadas a portas fechadas. A Parada de São Paulo perdeu seu caráter de luta e ganhou forma de espetáculo para atrair turistas e render fundos às empresas que resolvem investir no chamado dinheiro cor-de-rosa. Felizmente, há setores descontentes com os desmandos do presidente da Associação da Parada, Beto de Jesus. Forma-se, por dentro da Associação, e dos grupos, uma oposição pelo resgate da diversidade e democracia.
O PSTU está do lado dos que sabem que só a luta muda a vida e dos que querem uma esquerda pra valer. Está do lado dos que querem um movimento LGBT para lutar contra a discriminação e arrancar, dos governos lacaios do FMI, insensíveis às mazelas sociais, direitos negados a amplos setores da classe trabalhadora, marginalizada pelo simples fato de viver de forma diferente do bê-a-bá conservador e moralista dos donos do poder. E FHC ainda tem a cara-de-pau, em época de eleição e às vésperas das Paradas que reúnem centenas de milhares, de dizer que defende a União Civil entre homossexuais, quando seus líderes no Congresso barraram o projeto durante oito longos anos.
Post author Soraya Menezes,
Secretaria Nacional de Gays e Lésbicas do PSTU
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