Lucio La Torre, o “Ronco”, militante operário e lutador de toda a vida

A Liga Internacional dos Trabalhadores perdeu, esta semana, um valoroso companheiro. Faleceu no Peru, vítima de uma doença irreversível, Lucio La Torre, aos 64 anos, exemplo de dedicação e de conduta revolucionária. Publicamos, abaixo, a carta-homenagem eO “Ronco” Lucio La Torre agoniza. Nesta segunda-feira, 29 de outubro, quando completava 64 anos e ao final de um longo padecimento que o manteve prostrado, os médicos declararam, definitivamente, seu falecimento. Com Lucio La Torre, os militantes do PST perdemos um grande amigo, um camarada exemplar. E a LIT, um de seus mais leais e fervorosos seguidores, mesmo em maus períodos.

Enquanto o PST era destruído por distintos fracionamentos e mesmo a LIT-QI era desviada por fortes rupturas, por volta dos anos 1992-1995, produto de um fenômeno mundial que chamamos de “vendaval oportunista”, Ronco continuava freqüentando a sede. Quando não encontrava ninguém, deixava um bilhete sob a porta com algumas linhas que sempre terminava com as consignas: “Sob as bandeiras da Quarta Internacional! Viva Trotsky! Viva o camarada Moreno!”.

Ao longo de mais de quatro décadas, Ronco foi de uma lealdade militante a toda prova. Mesmo agora, quando lhe faltavam as forças, era capaz de levantar o punho afirmando sua crença e sua bandeira. No PST, recordamos dele nas reuniões e nos atos do partido transmitindo força e valor. Uma força e valor que nasciam do coração de um velho e sólido militante.

Ronco começou a militar junto ao trotskismo em 1958, quando era um jovem operário de 16 anos numa fábrica distribuidora de leite. Decidiu organizar seus companheiros, que eram mais de cem operários precarizados, para lutar contra o abuso do patrão. Para isso, não teve outra idéia senão ingressas no Partido Operário Revolucionário (POR). Neste partido, aprendeu que a luta cotidiana da classe operária não atinge seu objetivo se não estiver ligada à construção de seu próprio partido e, mais ainda, se não se luta para conquistar o poder, para libertar a si mesma e para libertar a todos os explorados. O POR era dirigido por “Mocho” Zevallos e Leoncio Bueno, dois operários têxteis, e estava vinculado ao Secretariado Latino-Americano do Trotskismo Ortodoxo (Slato), dirigido por Nahuel Moreno, o fundador da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional. O POR foi antecessor da FIR e esta do PST.

Ronco ingressaria em nossas fileiras para nunca mais sair. Este homem feito operário pela vida encontraria no trotskismo a identidade política de sua classe e na batalha pelo partido e pela Quarta Internacional uma maneira de dar sentido à sua vida e de feliz.

Mesmo demitido infinitas vezes e desempregado outras tantas, Ronco jamais desistiu de sua filiação política. Nos últimos anos, apesar da doença que minguava suas forças, cumpria sua tarefa de membro da Comissão Moral do partido, levava o jornal a várias bases, acompanhava quase todas as marchas e estava ao par de todas as atividades do partido e da Internacional. Exigia e reclamava mais empenho da militância! Há uma semana, em seu leito no hospital, disse: “apenas me levante, irei pelo menos atender na sede”.

A fábrica onde trabalhava fechou em 1995 e, desde então, Ronco só conhecia penúrias. Esperava conseguir uma aposentadoria, para a qual contribuiu durante quase toda a sua vida, mas lhe faltou um ano para chegar à idade exigida. A idade para se aposentar foi aumentada, porque dizem que a ciência e a tecnologia elevaram a expectativa de vida. Porém a ciência e a tecnologia só estão disponíveis para os ricos e para as classes médias endinheiradas. Para os operários e os despossuídos de nosso país, tudo segue igual ou pior e os velhos que já não servem mais para a maquinaria capitalista devem suportar os piores sofrimentos. Nestas condições, viveu e lutou Ronco nos últimos anos. Até os serviços de saúde lhe negaram um final menos doloroso: em estado grave, Ronco foi mandado a sua casa, pois no Hospital Almenara “não havia leito”.

Não obstante esta penosa situação, Lucio manteve sempre uma integridade e dignidade que só se explicam por sua condição de lutador e militante revolucionário. Nunca acovardou-se ante ninguém. Dizia o que pensava, mesmo que para a burocracia, mas sempre se relacionava com todos, diferenciando explicitamente o pessoal do político. Nos atos de 1º de Maio e nas homenagens a Trotsky, sempre o víamos vestido com a melhor roupa que tinha. Para ele, estes atos, como todas as atividades do partido, eram de grande compromisso, próprio de quem comprometeu sua vida e seu destino à construção do partido e da internacional.

Assim o recordaremos sempre. Com Ronco, se vai parte do melhor de nossa tradição operária, tradição que, no PST, nos sentimos profundamente orgulhosos. Sobre ela, seguimos construindo-nos, tentando dotar a emergente classe operária peruana de uma direção política para suas lutas.

Camarada e amigo Ronco: os companheiros do PST, os jovens da Juventude Socialista e os militantes da Liga Internacional dos Trabalhadores te rendemos homenagem e te dizemos adeus com os punhos levantados. Seu exemplo é um legado que nos dá força para continuar seu combate de toda a vida, até o triunfo da revolução e do socialismo.

Honras ao militante operário Lucio La Torre, o Ronco!

Viva o PST! Viva a LIT-QI!