LGBTIs do PSTU e Wilson Honório da Silva, da Secretaria Nacional de Formação

Lindolfo Kosmaski era um jovem, de 25 anos, que dedicava sua vida à Educação Popular, à luta do campo e à defesa dos direitos e da vida de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e intersexos (LGBTIs), principalmente através do Coletivo LGBT Sem Terra, vinculado ao Movimento Sem Terra (MST) e das Jornadas da Agroecologia.

Lamentavelmente, contudo, Lindolfo se tornou mais uma vítima da violência criminosa e covarde que atinge tanto ativistas dos movimentos sociais quanto LGBTIs. Seu corpo foi encontrado, na madrugada do dia 30 de abril, com dois tiros, e completamente carbonizado, dentro de seu próprio carro, no município de São João do Triunfo, no Paraná, onde foi candidato a vereador, pelo PT, em 2020.

“O sangue LGBT também é sangue sem terra”

A Escola Latino Americana de Agroecologia (ELAA), na qual Lindolfo estudou, entre 2014 e 2019, Licenciatura em Educação do Campo (Lecampo), num curso promovido em parceria com a Universidade Federal do Paraná – Setor Litoral, divulgou, hoje, uma nota, lembrando Lindolfo. “Um sonhador e construtor de uma sociedade onde possamos viver com justiça e liberdade! Um camponês que chegou na Universidade cheio de sonhos e descobriu que era possível ser um professor que ele tanto sonhava! Uma pessoa estudiosa, gentil!”, diz o texto, assinado por educadores(as) e educandos(as) da ELAA.

Atualmente, o jovem cursava o mestrado, no Programa de Pós-graduação em Educação em Ciências e em Matemática na UFPR e atuava como professor numa escola pública.

O MST também se pronunciou sobre o brutal assassinato, exigindo justiça e punição exemplar dos responsáveis. “O MST destaca o seu compromisso de lutar por uma sociedade sem LGBTfobia e na construção de um mundo onde a vida e todas as formas de ser e amar sejam garantidas plenamente. O sangue LGBT também é sangue Sem Terra.”

Mais um inaceitável crime de ódio

Lindolfo, infelizmente, é mais um dentre os centenas de LGBTIs assassinados, ano após ano, no Brasil, o que, há décadas, mantém nosso país como recordista em crimes LGBTfóbicos. Apesar das dificuldades no levantamento dos dados, são mais de 300, anualmente. Para se ter uma ideia, em 2020, considerando apenas as transexuais, foram 175 casos, segundo dados apresentados, em fevereiro, pela Associação Nacional de Transexuais e Travestis (Antra).

Em todos os casos, uma das características dos assassinatos é a extrema violência e a brutalidade “excessiva”, como a praticada contra Lindolfo, expressão de um grau de ódio e preconceito que não só impõe terror e sofrimento às vítimas, como também tenta, literalmente, eliminar traços de sua própria existência.

Práticas que, evidentemente, só têm aumentado impulsionadas pelo discurso de ódio de Bolsonaro, Damares e demais fundamentalistas reacionários e ultra conservadores instalados no Planalto. Como também, sabemos, a lógica e práticas militarizadas e milicianas do governo só têm incentivado, ainda mais, o assassinato de ativistas, militantes de todos os movimentos, no campo, nas cidades, aldeamentos e quilombos.

Em nota divulgada pelo Rebeldia: juventude da Revolução Socialista, jovens militantes do PSTU lembram de viajar com o sempre simpático e solidário estudante camponês, em 2016, para o para o II Encontro Nacional da Educação (ENE), em Brasília. “Lembramos de Lindolfo com muito carinho, pois era um jovem comprometido e preocupado com as lutas da educação, dos jovens e professores. Nos solidarizamos com a família e amigos, também com a militância do PT e seus demais companheiros de luta. Exigimos justiça para Lindolfo!”, diz a publicação.

Em nome das LGBTIs do PSTU, também estendemos nossa solidariedade aos familiares, amigos e companheiros de Lindolfo Kosmaski, prometendo transformar mais este momento de luto em disposição de luta para construirmos um mundo socialista do qual todas e quaisquer formas de opressão sejam varridas juntamente com a exploração capitalista.

Lindolfo, presente!