Liberdade aos presos por lutar, basta de perseguição a Sebastián Romero e a todos os lutadores

As jornadas de dezembro contra a reforma da Previdência mostraram a enorme disposição de luta dos trabalhadores para enfrentar os planos do governo Macri.

PSTU-Argentina

É por isso que, para frear os trabalhadores e garantir a aprovação da reforma trabalhista, Macri desatou uma caçada repressiva. Nosso companheiro Sebastián Romero foi demonizado em todos os meios de comunicação por utilizar um fogo de artifício de venda livre em meio a uma brutal repressão e hoje a Justiça quer prendê-lo. Dois militantes do Partido Obrero, Cesar Arakaki e Dimas Ponce, estão presos em uma prisão comum, assim como cinco detidos na jornada do dia 14 de dezembro (alguns dos quais nem sequer estiveram na mobilização). Enfrentar essa caçada é hoje uma necessidade de primeira ordem para todos aqueles que querem barrar o ajuste.

Prisões a serviço do ajuste
A criminalização da luta social não começou em dezembro de 2017. Pouco menos de um mês depois de tomar posse, em janeiro de 2016, o governo Macri inaugurou sua lista de presos políticos com Milagro Sala, a dirigente da Tupac Amaru, que é acusada de participar de um acampamento em frente à sede do governo de Jujuy. A causa inicial era “incitação à violência”, à qual mais tarde se somaram outras acusações, como associação ilícita. Junto com Milagro há mais doze presos da Tupac, a maioria mulheres. Embora as Nações Unidas (ONU), a Organização dos Estados Americanos (OEA), a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), a Anistia Internacional (AI) e outras organizações nacionais e internacionais defendam que sua detenção é arbitrária e exijam sua liberdade imediata, Milagro continua presa e em condições deploráveis.

Em 27 de junho de 2017, horas antes de uma reunião entre Macri e a presidente do Chile, Michele Bachelet, Facundo Jones Huala foi preso, dirigente mapuche acusado pela Justiça chilena de participar de uma luta contra a construção de uma usina hidrelétrica no sul daquele país. Em nosso país, ele é referência do Lof [comunidade mapuche] em Resistência de Cushamen, um dos poucos que conseguiu, em 2015, recuperar terras roubadas dos povos originários e que hoje estão nas mãos do bilionário Benetton. Na repressão a um protesto que exigia a sua liberdade é que Santiago Maldonado desapareceu.

A esses dois casos, que são os mais conhecidos, soma-se a prisão do docente wichi Agustín Santillán, em Formosa, onde se vive uma situação de repressão permanente por parte do governador Gildo Insfran.

No entanto, a prisão dos lutadores, embora tenha crescido, não começou com o governo Macri. No governo de Cristina Kirchner, três petroleiros foram condenados à prisão perpétua e outros a penas menores, na cidade de Las Heras, Santa Cruz, acusados de assassinar um policial. Armaram um processo para punir aqueles que ousem tocar os interesses das multinacionais. Os petroleiros estavam realizando um protesto e foram brutalmente reprimidos.

A esta lista se somam hoje Cesar Arakaki, Dimas Fernando Ponce e outros cinco detidos na mobilização de 14 de dezembro.

Além disso, atualmente, há mais de 7.000 trabalhadores processados por lutarem em nosso país.

Com esta política repressiva, estão tentando frear a resistência dos trabalhadores, que já demonstraram que não estão dispostos a deixar que seus direitos sejam arrancados assim. Por isso, a luta pela liberdade e contra a perseguição dos lutadores é parte da luta geral para derrotar o plano de fome do governo Macri.

ATUALIZAÇÃO: Na tarde desta terça, 23, a Justiça determinou a soltura de Cesar Arakaki e Dimas Ponce

Tradução: Kélvia Trentin