LGBTfobia faz mais uma vítima na Bahia

No último sábado (18/08) mais um LGBT foi brutalmente assassinado no estado da Bahia. Seu nome era Marcos Cruz Santana, o “Marquinhos Tigresa”. Seu corpo foi encontrado no meio da rodovia BA-263, na cidade de Itororó, com ferimentos à faca no pescoço e mutilação da genitália.

Marcos, um ativista na luta contra a LGBTfobia, engordou a estatística que faz do Brasil o país que mais mata LGBT’s no mundo.

A violência que Marcos sofreu não era novidade para ele. Em 8 de agosto de 2011, ele concedeu uma entrevista durante o julgamento dos assassinos de outro homem gay, também com requintes de crueldade, na mesma cidade de Itororó:

Marcos: “Ele era nosso líder na época…, uma excelente pessoa. Quando chegou ao meu conhecimento que havia morrido um homem, eu sabia que era um homossexual, coisa que não foi revelada aqui no julgamento, mas que tínhamos consciência.”

Repórter: “Você acredita que o fato de ele ser homossexual, isso tenha contribuído para a execução do mesmo?”

Marcos: “Eu acredito que sim… Então é isso que acontece várias vezes com homossexuais no estado da Bahia”.

A polícia de Itororó descartou a hipótese de crime homofóbico em relação ao assassinato de Marcos e sustenta a possibilidade de crime passional.

O descaso e a invisibilização dos crimes homofóbicos por parte das autoridades também não é novidade para os LGBT’s em geral. Não há no Brasil a tipificação deste tipo de crime. Não existem estatísticas oficiais de assassinatos por LGBTfobia. Apesar disso, segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), até meados de maio deste ano, 153 LGBT’s foram mortos no Brasil. No ano passado foram 445 LGBT’s, o que representa uma vítima morta a cada 19h.

A violência homofóbica tem relação com o machismo e muitas vezes forma uma combinação nefasta com outros tipos de opressão. É alimentada diariamente pelo poder público, como no caso do edital de concursos da PM, com critérios de “masculinidade”, onde o candidato é julgado pela “capacidade de não se impressionar com cenas violentas e suportar vulgaridades”. Assassinatos e outros atos de barbárie seguem também pela impossibilidade de registrar boletins de ocorrência citando o verdadeiro caráter dos crimes homofóbicos. Avançam pela mais absoluta falta de leis de proteção aos LGBTs e na impunidade para os criminosos.

O que o sistema capitalista reserva aos LGBT’s trabalhadores é a exploração e a opressão. Aqueles que lutam pela causa LGBT se enfrentam diariamente com a violência homofóbica, além de conhecer bem a realidade de superexploração à qual os LGBT’s são submetidos, estão relegados ao subemprego, ao assédio moral constante, ao desemprego e à falta de acesso aos serviços públicos.

Os governos de Lula e Dilma não avançaram no sentido de criminalizar a LGBTfobia. Pelo contrário, arquivaram o PL 122 e ainda usaram o kit anti-homofobia como moeda de troca para se manterem no poder e aprovarem seus projetos.

A reforma trabalhista de Temer só fez aprofundar essa situação, legalizando o subemprego e elevando o número de desempregados no país, muitos deles LGBT’s. E quem quer que seja eleito presidente nas próximas eleições vai seguir com a reforma da Previdência, exigida pelo imperialismo, e vamos sofrer suas consequências caso seja implementada.

Para combater a LGBTfobia, devemos resgatar o espírito da revolta de Stonewall. Precisamos de uma rebelião para derrubar os de cima. Devemos nos organizar e unir forças com os trabalhadores e trabalhadoras para derrubar as reformas e conquistar nossos direitos!

O sistema capitalista se aproveita da opressão para aumentar a exploração sobre os trabalhadores e trabalhadoras. Dentro desse sistema, não é possível acabar com a LGBTfobia. Por isso é preciso unificar as lutas contra a opressão e a exploração. O PSTU está junto nessa luta!

Marquinhos Tigresa, Presente!