Leia entrevista com dirigente da greve dos auditores da Paraíba

Manoel Isidro, presidente do Sindifisco-PB

Os auditores-fiscais do Estado da Paraíba iniciaram uma greve histórica no dia 24 de fevereiro, que durou até o dia 28. Apesar da intransigência do governador Cássio Cunha Lima (PSDB), a categoria cruzou os braços em todo o estado e conseguiu arrancar conO que moveu a categoria a greve, quais as principais reivindicações?
Isidro –
O motivo, primeiramente, foi o governo deixar de pagar um prêmio que era devido e que é devido a categoria. Esse foi o pingo d’água que estava faltando, mas o motivo maior foi que o governo se afastou da mesa de negociação que já vinha se arrastando há mais de dois anos.

Houve grande adesão a greve? Como foi o processo de organização nos locais de trabalho?
Isidro –
Houve uma adesão de quase 100% da categoria ao movimento grevista. No momento em que o governo falhou e a categoria estava apta, mobilizada, puxamos a greve e aí é onde está o sucesso da greve. Porque ela foi muito bem trabalhada em cada núcleo regional, em cada cidade, em cada unidade de fiscalização. Cada companheiro foi trabalhado, muitos informativos foram levados à categoria. Então, a categoria estava consciente, estava mobilizada. Por esse motivo, aquilo que parecia ser difícil, que nenhum movimento grevista é uma coisa fácil, no final terminou sendo uma coisa fácil de ser conduzida porque todos estavam consciente do que estavam querendo.

Em uma das assembléias aconteceu um fato inédito, vários fiscais entregaram seus cargos comissionados durante o processo de greve, como é que você analisa essa questão?
Isidro –
Isso ficou na história da nossa categoria, porque isso nunca ocorreu antes. Nunca houve um movimento grevista em que os cargos comissionados, cargos de confiança da Secretaria da Receita, que antes era Secretaria de Finanças, fossem entregues. Pra você ver o grau de mobilização e de conscientização que estava a categoria. Quase 100% dos cargos, na nossa assembléia, na frente das câmeras, dos microfones, um a um fizeram fila e foram entregando, colocando os cargos a disposição do governo.

Quais as conquistas da greve? Foi possível dobrar a intransigência do governador Cássio Cunha Lima, do PSDB?
Isidro –
Eu digo que a maior conquista da greve foi o retorno da mesa de negociação. Houve pequenas conquistas ao longo dessa mesa. Houve uma conquista imediata da greve que foi o pagamento do prêmio de incremento e arrecadação. Mas a categoria não retornou com o pagamento do prêmio, a categoria retornou com o compromisso por escrito por parte do governo do estado do atendimento dos outros pontos da pauta de reivindicação.

Caso o governo não cumpra com o acordo em relação a pauta específica do SINDIFISCO, o que a categoria pretende fazer?
Isidro –
É bom salientar que a greve não acabou, foi suspensa. A categoria em assembléia resolveu aceitar a proposta do governo do estado e suspender a greve. A greve está suspensa para nós podermos costurar o restante da pauta com o governo. A partir do momento que toda a pauta de reivindicação já estiver concretizada e atendida pelo governo do estado nós faremos uma outra assembléia onde nós acabaremos com o indicativo de greve.

Na sua opinião, qual o papel da CUT numa greve como esta? É possível confiar nesta Central como uma ferramenta de organização dos trabalhadores?
Isidro –
Referente a CUT, eu não posso tecer muitos comentários, visto que o SINDIFISCO da Paraíba nunca foi filiado a CUT. Houve várias propostas e o SINDIFISCO em vários momentos se balançou para se filiar a CUT, mas, se até o momento não se filiou, não seria agora que nós iriamos nos filiar a CUT. Várias entidades que eram filiadas a CUT se desfiliaram e hoje ela é alvo de críticas. Nós não somos filiados e nunca fomos, mas se fosse para a gente se filiar hoje não confiaríamos na CUT como um instrumento ou um órgão máximo para reivindicar direitos da categoria.