Em pleno 20 de novembro, dia de luta e resistência da memória de Zumbi dos Palmares para todo o povo negro explorado e oprimido em nosso país, acordamos com a notícia de mais um crime cruel contra um trabalhador negro. João Alberto Silveira de Freitas foi assassinado de forma brutal por dois seguranças no hipermercado da multinacional Carrefour, na Zona Norte de Porto Alegre.

Um dos seguranças é um policial militar que fazia “bico” de segurança para o supermercado. Os dois assassinos foram tiveram prisão provisória. As cenas de espancamento foram registradas em vídeo e circulam pela internet.

Perseguições e humilhações a negras e negros em supermercados são recorrentes. No início deste mês, um jovem negro foi agredido dentro de uma loja no centro do Rio de Janeiro. Em junho, uma jovem negra foi humilhada e enforcada por um segurança de um supermercado no interior de São Paulo.

Nos últimos dez anos, os assassinatos de negras e negros aumentaram 11,5%, enquanto os de não negros caíram 12,9% segundo o Atlas da Violência 2020, publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Por isso, esse assassinato não é episódico ou casual. O capitalismo, em especial neste momento de profunda crise, nutre e cria ações como essa. Além disso, ao fazer inúmeros discursos e provocações racistas, Jair Bolsonaro estimula episódios desse tipo.

Tal crime vil é resultado direto do racismo cotidiano impulsionado pelo capitalismo em nosso país e lembra a morte de George Floyd, estrangulado por policiais nos Estados Unidos. Assim como no país mais imperialista do mundo, aqui no Brasil as negras e os negros não deixarão barato, ainda mais numa data carregada de simbolismo para a luta.

O 20 de novembro teve sua data criada em Porto Alegre pelo grupo Palmares e lembra o papel do Estado brasileiro que decapitou Zumbi e expôs sua cabeça em praça pública para que ninguém seguisse suas ideias e seu exemplo de luta. Em 2020, Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, mais uma vez afirma que não comemorará e não reconhecerá o 20 de novembro. Camargo não passa de um capitão-do-mato que faz o serviço sujo de seu patrão, o senhor da Casa Grande Jair Bolsonaro.

Racistas não passarão!

Às negras e aos negros explorados e oprimidos da classe trabalhadora, dizemos que o racismo e os racistas não passarão! Para nós, Sérgio Camargo, o capitão-do-mato, Bolsonaro e Mourão, os genocidas de nosso país que têm as mãos sujas de sangue pelas mortes da pandemia e por impulsionar o racismo e o genocídio de nosso povo, não passarão!

Exigimos que a multinacional Carrefour, que também tem responsabilidade por esse crime, pague por sua culpa e seja estatizada. Além de superexplorar seus trabalhadores, muitos deles negros, e formarem verdadeiros cartéis na venda de alimentos no país, esses supermercados agridem e matam negras e negros. Por isso, devemos estatizar as grandes redes de supermercados, começando pelo Carrefour, e colocar a distribuição de alimentos sob o controle dos trabalhadores.

A exemplo de Zumbi e Dandara e de nossos irmãos nos Estados Unidos, nós do PSTU dizemos que a justiça para João Alberto será obtida na luta e nas ruas. Não temos nenhuma confiança nas instituições do Estado burguês – como o caso da jovem Mariana Ferrer mostrou – muito menos no parlamento.

Exigimos:

Justiça por João Alberto!
Fora já Bolsonaro e Mourão!
Fora Sérgio Camargo da Fundação Palmares!
Basta de genocídio de negros e pobres!
Que o 20 de novembro seja feriado em Porto Alegre em memória de João Alberto e de todos os negros e negras que tombaram pelo racismo e pelo capitalismo!
Punição e estatização do Carrefour já!
Desmilitarização da Polícia Militar!
Comitês de autodefesa e organização do povo negro!
Reparações já!

 

PROTESTOS

Atos contra o racismo tomam o país

O assassinato de João Alberto foi repudiado em todo o país. Muitas cidades tiveram protestos contra o repugnante crime de racismo. “Por Negro Beto, quero justiça, eu quero fim da polícia assassina!”, gritaram os manifestantes em Porto Alegre. Aproximadamente 3 mil pessoas se reuniram em frente ao principal acesso ao Carrefour em que João Alberto assassinado. A Brigada Militar reprimiu o protesto com bombas de gás lacrimogênio.

Em São Paulo, uma unidade da rede foi ocupada por manifestantes. Também houve ato numa loja do Carrefour em Belo Horizonte (MG). “Para as pessoas que estão aqui, a gente diz: viemos em paz com os trabalhadores, mas com o Carrefour é guerra!”, falou Clayton, militante do PSTU e do Quilombo Raça e Classe.

Na Zona norte do Rio de Janeiro, manifestantes se reuniram num shopping onde fica um dos supermercados do grupo francês. Outros protestos reuniram várias dezenas de pessoas exigindo boicote ao Carrefour em várias partes do país, como Salvador, Santos e São Gonçalo. Várias concentrações desse tipo já foram realizadas desde o dia do crime.