Julgamento de processos de anistia de perseguidos da Convergência é marcado pela emoção

Comissão de Anistia analisa processos
Foto: Raíza Rocha

Após o ato de memória e homenagem à luta da Convergência Socialista contra a ditadura, parte da 77ª Caravana da Anistia realizada no dia 25 de outubro na PUC em São Paulo, ocorreram os julgamentos dos processos políticos dos presos e perseguidos da organização antecessora do PSTU.O julgamento dos processos foi dividido em duas salas, onde, além dos julgados, muitos companheiros estavam presentes prestando homenagem.

O procedimento era: lia-se o pedido do julgado, depois a conselheira dava seu parecer, e por fim, ouvia-se aquele que estava com os processos em julgamento. Nessa hora, foi difícil conter a emoção. Ouvir as histórias, muitas narradas em voz trêmula e olhos repletos d’água, foi, além de um aprendizado aos mais jovens, de uma importância histórica singular, pois dava voz aqueles que foram proibidos pelo Estado durante muito tempo de falar o que pensavam.

Além das prisões e perseguições expostas, os julgamentos tratavam da dificuldade de arrumar emprego à época por conta da militância política, e cobravam do Estado indenização pelas perdas. Como destacou Severo Alves, “Até hoje não consigo entrar na Volkswagen”, ilustrando a dificuldade para arrumar emprego naquele período.

Outro problema apontado, além da dificuldade para conseguir emprego, foi a adaptação forçada por conta da perseguição na hora de arrumar um sustento. Como destacou Bernardo Viana, “fui obrigado a procurar outros trabalhos por conta de uma perseguição política… a carreira de jornalista foi encerrada bruscamente por conta da prisão, da clandestinidade.

Outro, que atuou como jornalista e sofreu as conseqüências por isso foi José Welmowicki, que ressaltou: “a imprensa alternativa foi muito importante nesse período. Jornais como Movimento, Versus, Pasquim, cumpriram papel fundamental na resistência ao Regime.” E terminou sua fala, depois de anistiado e de ter recebido os pedidos de desculpas do Estado Brasileiro em nome das conselheiras que compunham a mesa, dizendo: “Esse reconhecimento me dá força política.

Maria Cristina ressaltou: “É um momento histórico”, e observou: “fui perseguida por homens durante a Ditadura, e hoje, fico feliz por ser anistiada por três mulheres.”

Maria da Conceição deixou em sua fala um recado às futuras gerações: “Trotsky disse a sua companheira Natalia: A vida é bela, que as gerações futuras a limpem de todo o mal, de toda opressão, de toda violência e possam gozá-la plenamente.” E encerrou dizendo “socialismo é possível, temos que seguir nessa luta!

No fim dos julgamentos, depois do Ato durante a manhã, ficou a certeza da importância histórica da Convergência Socialista, dos companheiros que faziam parte da organização e de todos os outros que lutaram contra a opressão do Estado durante a Ditadura. Além disso, o evento mostrou a atualidade da discussão sobre anistia, cobrando uma Comissão da verdade, memória e justiça. Só assim, punindo os algozes da ditadura, todos que torturaram, mataram e prenderam, fecharemos nosso processo de redemocratização. Para que não se esqueça, que nunca mais aconteça.

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