Jornada do MST denuncia corte de verba para a reforma agrária

Sem-terras marcham em Brasília
Roosewelt Pinheiro/ABr

Uma série de manifestações do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra mobilizou milhares de ativistas em todo o país nesse dia 11 de agosto. Foi o ponto alto da jornada de luta impulsionada pelo MST entre os dias 10 e 14, a fim de pressionar o governo Lula pela reforma agrária e exigir o desbloqueio de R$ 800 milhões do Orçamento do Incra.

Ocorreram protestos em 12 estados. Os sem-terra ocuparam as sedes do Ministério da Fazenda em quatro estados, inclusive em Brasília, onde 3 mil militantes tomaram o saguão do prédio, e o Incra em três estados. “Nossa jornada de lutas denuncia os cortes do Ministério da Fazenda no orçamento da reforma agrária, cobra o descontigenciamento dos investimentos e exige o assentamento das 90 mil famílias acampadas no país pelo Incra”, afirmou em nota José Batista de Oliveira, da coordenação nacional do MST.

A jornada de mobilizações também exige a atualização dos índices de produtividade, estipulado em 1975 e atualmente defasado. O índice de produtividade é o critério para determinar se uma propriedade é ou não produtiva e se está passível de ser objeto de desapropriação para a reforma Agrária. Além disso, o movimento exige maior investimento nos assentamentos, infra-estrutura e produção agrícola.

Acampamento nacional
Além da jornada de lutas, ocorre em Brasília até o dia 21 um acampamento nacional pela reforma agrária, que deve receber, segundo o MST, mais de 3 mil trabalhadores rurais de 23 estados. O acampamento será erguido em frente ao estádio Mané Garrincha.