John Negroponte: o cão de guarda de Bush

John Negroponte
Divulgação

Diretor Nacional de Inteligência dos EUA recomenda que dinheiro da recontrução iraquiana seja investido em segurançaO embaixador norte-americano no Iraque, John Negroponte, 65, foi nomeado por Bush como diretor nacional de Inteligência, cargo criado para unificar a espionagem feita hoje por diversos órgãos da área e reduzir os atritos entre a CIA e o Pentágono.

Antes do Iraque, o novo diretor já possuia uma longa trajetória de serviços prestados ao imperialismo e contra os povos do mundo. Ele é acusado de, nos anos 1980, quando embaixador em Honduras, ter supervisionado um esquadrão da morte, que assassinou centenas de políticos de oposição. As mortes incluem até as de missionários dos EUA, como Dorothy Stang, morta agora no Brasil.

Agora ele não supervisiona só um esquadrão. Será responsável pelas 15 agências de Inteligência que funcionam nos EUA. Negroponte já tomou a iniciativa: recomendou ao Departamento de Estado Americano que, dos US$ 18,4 bilhões destinados à reconstrução do Iraque, US$ 3,4 bilhões sejam transferidos para a manutenção da segurança neste país. A medida implica diretamente em cortes nos serviços de eletricidade e saneamento básico no Iraque.

LICENÇA PARA MATAR – Segundo a BBC, George W. Bush disse que o novo diretor de inteligência terá autoridade para decidir que tipo de informação deve ser coletada e como. A afirmação deixa clara a liberdade que os seus subordinados receberam para agir, desde os atentados às torres gêmeas. A partir daquela data, iniciou-se um crescente massacre aos direitos civis nos EUA. Hoje, qualquer indício é o suficiente para que um cidadão seja preso, sem acusação formal, como terrorista ou suspeito. Desde aqueles que possuem parentes distantes de origem árabe até cidadãos que comprovadamente tenham boas relações com os EUA podem, a qualquer momento, ir para cadeias e campos de concentração. E o Congresso dos EUA legalizou a tortura, que passa a atender pelo nome de “uso da força”, inclusive em operações feitas em outros países. Os exemplos dos presos da base de Guantánamo, em Cuba, e Abu Ghraib, no Iraque, não nos deixa mentir.

O aumento no Orçamento de Defesa e a unificação dos serviços de Inteligência dos EUA são resultados da resistência do povo iraquiano contra a ocupação imperialista em seu país. Esta luta já causou quase 1.500 mortes de soldados invasores e tem suscitado inevitáveis comparações com o Vietnã. Cada novo ataque da resistência iraquiana leva Negroponte de volta ao país de Ho Chi Minh. Lá, de 1964 a 1968, ele atuou como funcionário da embaixada norte-americana e assistiu de perto a maior derrota militar da história norte-americana.

Negroponte tem como missão evitar os ataques nas ruas de Bagdá. Mas, quando em um mesmo país, estão concentrados petróleo, ganância e resistência, muitas explosões ainda podem ocorrer.