Israel: agente militar do imperialismo no Oriente Médio

Torturas e assassinatos de palestinos por soldados israelenses são rotina
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O objetivo do imperialismo, especialmente o americano, com a fundação de Israel, foi ter um agente militar direto no Oriente Médio. Uma região que, além de possuir as maiores reservas de petróleo do mundo, vivia um forte processo de luta antiimperialista e contra as corruptas “monarquias petroleiras”. Tratava-se de ter uma “tropa própria” a seu serviço contra o povo palestino e as massas árabes.
Não é por acaso que, desde sua criação como verdadeiro “posto militar avançado”, Israel tenha vivido sempre em estado de guerra.

Um Estado militarizado
O objetivo da criação de Israel explica por que a população israelense vive sempre em “pé de guerra”. Ao cumprir 18 anos, todo cidadão deve cumprir um serviço militar obrigatório DE três anos, para os homens, e dois anos, para as mulheres. Depois, ficam como “reservistas” até os 50 anos, com um mês de treinamento anual obrigatório.

Por esses “serviços militares”, os EUA enviam “oficialmente” US$ 3 bilhões anuais e US$ 2 bilhões chegam por outras vias. Somam-se a isso os fundos que arrecadam as organizações sionistas de todo o mundo. Desse modo, Israel equilibra o déficit de sua balança comercial (US$ 10 bilhões) e seu crônico déficit orçamentário.

Ao mesmo tempo, a fabricação de armamentos e a tecnologia militar e de segurança se transformaram, há vários anos, na principal atividade econômica do país e no principal produto de suas exportações (US$ 12 bilhões, 40% do total), disfarçado nas estatísticas como “exportação de alta tecnologia”.

Em outras palavras, a maioria da população israelense vive, direta ou indiretamente, do orçamento militar e da indústria armamentista. Por isso, as Forças Armadas são, na realidade, a instituição mais importante do Estado. Não é por acaso que a maioria dos líderes políticos mais destacadas da história do país tenham sido previamente chefes militares.

Um Estado racista
Outra das grandes mentiras do sionismo é que Israel é um Estado “democrático e progressista”. Nada mais falso. Desde sua fundação, se constituiu como um Estado racista, por sua ideologia e suas leis destinadas à expropriação das casas e terras dos palestinos.

Israel é oficialmente um “Estado judeu”. Quer dizer, não é um Estado de todos os que residem no país ou nasceram nele, mas somente podem ser cidadãos aqueles que se consideram de fé ou de descendência judaica. Cerca de 90% das terras se reservam exclusivamente para os judeus, através do Fundo Nacional Judeu, cujo estatuto define que essas “terras de Israel” pertencem a essa instituição e não podem ser vendidas, arrendadas ou nem sequer trabalhadas por um “não judeu”. Os palestinos estão proibidos de comprar ou, inclusive, arrendas as terras anexadas pelo Estado desde 1948.

Existe no país um sistema de discriminação racial que domina absolutamente todos os destinos das vidas palestinos. O que se poderia dizer hoje de um país cuja política oficial foi a expropriação de terras dos judeus ou que simplesmente proibisse que algum judeu pudesse se assentar nele se por acaso casasse com uma não-judia?

Obviamente, se diria que se trata de um flagrante caso de discriminação anti-semita e poderia ser comparado com o nazismo ou com o apartheid sul-africano. No entanto, esse critério é legal em Israel, através de uma série de instituições e leis que afetam apenas os habitantes não judeus.

A “lei de nacionalidade” estabelece claras diferenças na obtenção da cidadania para judeus e não judeus. Pela “lei de cidadania”, nenhum cidadão israelense pode se casar com uma residente dos territórios ocupados. Caso isso aconteça, perde os direitos de cidadão israelense e a família, se não é separada, deve emigrar.

Pela “lei de retorno”, qualquer judeu do mundo, se vai para o país, pode ser cidadão israelense e obter um sem-número de privilégios que os nativos não-judeus não possuem. Mas os familiares dos palestinos do Estado de Israel que vivem no estrangeiro (muitos deles expulsos de suas terras na Palestina ou seus descendentes) não podem obter o mesmo benefício somente pelo fato de não serem judeus.

A “lei do ausente” permite a expropriação das terras que não tenham sido trabalhadas durante um tempo. Mas nunca foi expropriada a terra de um judeu. A maioria das expropriações realizou-se contra refugiados palestinos no exílio, palestinos habitantes de Israel e todo palestino que reside na margem ocidental do rio Jordão e tenha terras na área ampliada de Jerusalém.

A falsa “democracia israelense”
A imprensa ocidental, em especial os meios imperialistas, não se cansa de repetir que Israel é a “única democracia do Oriente Médio”. No entanto, como se pode chamar “democracia” a um regime que persegue pessoas por sua raça e religião? Como pode ser chamado “democrático” um regime em que os habitantes originais expulsos em 1948 não têm direito de retornar a suas casas e terras os habitantes dos territórios ocupados em 1967 não têm nenhum direito civil?

Onde os poucos deputados de origem árabe não podem criticar o sionismo, sob a ameaça de longas penas de prisão, ou são obrigados a sair do país, como ocorreu com Azmi Bishara. Em que a pequena minoria de intelectuais judeus que questiona as mentiras sobre a origem de Israel, ou se opõem às atrocidades dos governos sionistas, é intimidada e impedida de realizar suas pesquisas, como ocorreu com Ilan Pappe, que abandonou Israel em 2007 para exercer a docência na Inglaterra, por causa da pressão que sofria na Universidade de Haifa e das ameaças de morte por parte de grupos sionistas. Em que o físico Mordechai Vanunu, pelo suposto “crime” de revelar a existência de armas nucleares secretas, foi seqüestrado na Europa e, depois de cumprir uma pena de mais de 20 anos de prisão, está proibido de sair do país e até de dar entrevistas.

Em qualquer país do mundo, essa realidade seria qualificada como uma atroz ditadura apenas disfarçada de “democracia” para os opressores sionistas, do mesmo modo que os brancos sul-africanos tinham “democracia” durante o apartheid.

O genocídio dos palestinos
Israel necessita exercer uma permanente violência contra a população dominada. Seu próprio caráter o leva a ser expansionista e a reprimir qualquer mínimo questionamento a sua natureza, nem desafios em suas fronteiras.

Por isso, Israel sempre praticou uma política de “limpeza étnica” dos palestinos, arrancando-os de suas terras ancestrais ou reprimindo com dureza tanto os que vivem dentro de suas fronteiras como nos territórios de Gaza e Cisjordânia.

Aproximadamente 11 mil presos políticos palestinos estão nas prisões sionistas, centenas deles são menores e mulheres. Uma delas acaba de dar à luz, algemada, na prisão, onde permanece com seu filho; 70 presos já cumpriram mais de vinte anos de cadeia. A tortura é praticada com autorização da justiça e os “assassinatos seletivos” de lutadores nos territórios são rotineiros.

A LIT-QI qualifica o Estado israelense como “nazista” porque, quando se persegue a um povo inteiro, com o objetivo de eliminar sua identidade, de transformá-lo em escravo ou expulsá-lo de sua terra, não há outra nome que expresse melhor essa essência política. A terrível contradição histórica é que são os descentes dos perseguidos na Europa pelo nazismo que agora aplicam esses mesmos métodos contra outro povo.

Sua população, educada para estar sempre a serviço do exército, aceita naturalmente, em espantosa maioria, essa realidade de agressões militares aos palestinos e aos povos árabes e essa política genocida, já que só a força das armas pode garantir a sobrevivência de Israel.

Post author Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI)
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