Investigação e punição dos culpados pelo cartel da CPTM

José Serra foi intimado pela Polícia Federal a depor sobre cartel
Foto Agência Brasil

Após dezesseis anos de impunidade, a Polícia Federal finalmente aparenta investigar o cartel dos trens e metrô de São Paulo, intimando o candidato ao Senado pelo PSDB, José Serra, a depor sobre o assunto.

Serra foi governador do estado entre 2007 e 2010, período no qual ocorreu quase metade dos escândalos da licitação de trens e metrôs conhecidos como o trensalão tucano, onde mais de R$ 2 bilhões foram desviados em reformas superfaturadas de veículos encomendados pela CPTM e Companhia do Metrô de São Paulo a empresas como Alstom, Siemens, Bombardier, entre outras.

Enquanto bilhões foram desperdiçados com corrupção, a população sofre com um sistema de transportes inadequado. A passagem custa caro, a lotação torna as viagens desconfortáveis e facilita o assédio às mulheres, e enfrentamos atrasos para chegar ao trabalho. Os trabalhadores do Metrô e da CPTM, por sua vez, sofrem com baixos salários, um ritmo de trabalho brutal, assédio moral e doenças de trabalho. Situação que se torna ainda mais suspeita quando descobrimos que Geraldo Alckmin, candidato a governador pelo PSDB, recebeu uma doação de campanha de  R$ 4 milhões de três das empresas envolvidas no cartel dos trens.

É de surpreender que apenas agora, em meio às eleições, a Polícia Federal dê novo fôlego às investigações do trensalão tucano. Mas é vergonhoso que a convocatória de José Serra seja só para depois das eleições. Quem não deve, não teme, Exigimos que o envolvimento do ex-governador Serra e de Geraldo Alckmin seja investigado, e que os culpados tenham uma punição exemplar. Mas isto não é o bastante. Para acabar de vez com os esquemas de corrupção, melhorar a qualidade do transporte, dar melhores condições aos trabalhadores e implementar uma tarifa social (rumo à tarifa zero) é preciso estatizar o sistema de transporte coletivo, sob o controle dos trabalhadores.