Internacionalismo inaugura nova sede do PSTU no Rio de Janeiro

Debate “A política de Chávez é anti-imperialista?”, com César Neto, da direção do PSTU e representante da LIT na Venezuela, marcou o dia de festa da inauguração do novo espaçoNa noite do dia 5 de agosto, cerca de 130 militantes e simpatizantes do PSTU vieram à Lapa, no centro do Rio, para conhecer e festejar a nova sede do partido. Cyro Garcia, presidente estadual do PSTU, abriu o evento lembrando que a inauguração ocorre em um momento bastante propício para a luta dos revolucionários. Para ele, a América Latina é um barril de pólvora e o Brasil não está fora desse processo, pois o projeto de implementação dos planos neoliberais é único para todo o continente e está sendo aplicado em vários lugares por governos tidos como de esquerda, como no caso do Brasil.

Por outro lado, no país, o PT e governo encontram-se mergulhados numa crise, que acerca-se da cúpula central, onde Lula é o chefe da quadrilha. O que está faltando é a entrada em cena com mais peso das massas nas ruas, para construir uma alternativa dos trabalhadores. A nova sede, perto de importantes concentrações de trabalhadores e estudantes, estará melhor localizada para ajudar na mobilização da classe e na construção do partido.

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Antes da palestra de César Neto, fizeram uso da palavra três companheiros. Perciliana, do SINTUPERJ, anunciou o ato contra a criminalização dos movimentos sociais, que ocorrerá dia 11, na UERJ, universidade cujos trabalhadores protagonizaram recentemente uma heróica greve e agora enfrentam-se com a perseguição política. Acácio, da Conlutas-RJ, ressaltou a importância e passou informes sobre a organização da marcha a Brasília do dia 17 de agosto. Claiton, da oposição petroleira, informou sobre a luta de resistência ao fechamento da Refinaria de Manguinhos e os 500 empregos em jogo.

Aproveitando o gancho deixado pelo tema da refinaria, Neto começou sua exposição lembrando uma frase de Chávez, quando disse ser a Repsol (multinacional espanhola controladora de Manguinhos) uma “empresa amiga de um país amigo”. O mesmo Chávez seria capaz também de exaltar a revolução internacional citando Trotsky. Num momento em que a esquerda está órfã de Lula e Gutierrez, Chávez, com este tipo de discurso, tem se mostrado bastante hábil.

Habilidade populista numa época de concessões impossíveis
Neto relembrou a história recente da Venezuela, da derrubada de Carlos André Perez, da prisão de Chávez e sua ascensão rumo à presidência, bem como o recente golpe e a retomada do poder pela massa.

Num país onde 50% do petróleo já é explorado por multinacionais, o salário mínimo é de 440 mil bolivianos, ao invés dos necessários 1,2 milhão e os médicos amargam 4 anos sem aumento de salário, fica difícil justificar que se garanta o pagamento da dívida externa, que se dê isenção de impostos a multinacionais como a GM, que se mantenha a concessão de poços de petróleo a ChevronTexaco e Repsol.

Justamente por isso, para poder equilibrar-se entre as classes e não ser derrubado pelas massas que já protagonizaram mobilizações estrondosas, como foi inicialmente levantado, Chávez tem que se enfrentar com o imperialismo e não baixar o preço do petróleo, porque precisa do dinheiro para poder fazer concessões à população e manter-se no poder. Esta é a contradição do populismo, numa época em que, diferente da do argentino Perón, não há tantas margens para manobras. “Estamos vivendo a mais profunda crise econômica desde a 2ª Guerra Mundial”, afirmou Neto.

Super-exploração, mercado e energia
Para dar saída à crise mundial, aumenta-se a exploração e precisa-se proteger mercados e, para isso tudo, energia para a indústria. Neto explicou o papel da Alca e dos TLCs para cumrpir estes objetivos e causou desconforto na platéia ao ressaltar que hoje, na América Central, se não existe trabalho escravo, trabalhadoras são surradas para não pararem sob nenhuma justificativa a produção.

Se Bush quer derrubar Chávez, é porque não quer um presidente que o desafie politicamente com discursos esquerdistas e que sirva de mal exemplo para o resto da região. Mas a questão central é o petróleo. A PDVSA, estatal venezuelana, é a terceira fornecedora do ouro negro para os Estados Unidos e, além de preços mais baixos, o imperialismo precisa assegurar o seu acesso ao produto.

O Chavismo e a esquerda internacional
Após algumas intervenções do plenário, Neto ressaltou várias falsas alternativas apresentadas por Chávez e ainda a coexistência pacífica com os setores golpistas, lembrando ainda que, se necessário, estaríamos à frente da resistência de qualquer tentativa golpista do imperialismo, apesar de nossas diferenças com Chávez.

César Neto concluiu ressaltando a dificuldade de fazer críticas a Chávez, mas que há espaço, se traçamos paralelos com a questão dos hidrocarbonetos na Bolívia ou utilizamos o exemplo de Lula, se explicamos sobre a Alca. Este processo de convencimento é lento, mas que pode ser feito, se mostramos que o salário continua baixo ao mesmo tempo que aumenta o preço do petróleo. Há espaço para se construir as críticas, há espaço na reorganização operária, nas formações das CIPAs. E é assim porque é uma situação revolucionária que começou em 89 e ainda não se fechou. Não foi Chávez que criou a revolução e sim ao contrário, ou seja, o problema é justamente que a revolução criou Chávez.

O que não podemos fazer é capitular ao chavismo como faz boa parte da esquerda, incluindo o P-SOL brasileiro. Neto lamentou ainda que muitas das forças que estiveram nas mobilizações de massa, que organizaram a luta contra o golpe, como os Círculos Bolivarianos, hoje dedicam-se centralmente às batalhas eleitorais.

Por último, o palestrante anunciou o lançamento da nova edição da revista Marxismo Vivo.