Intenso debate político no Cecut de São Paulo

Já na abertura, quando setores da Articulação Sindical tentaram impedir que o representante do PSTU, Gegê, da executiva da Apeoesp, falasse, ficou demonstrado que o congresso transcorreria em clima de intensa polarização política e tentativa de rolo compressor e total truculência por parte da direção majoritária.
No dia seguinte, a Articulação Sindical aprovou a participação da delegação dos metalúrgicos de Taubaté, que não realizaram assembléia para eleição dos delegados e pretendem estabelecer o vale tudo na CUT. O escândalo foi tão grande que votaram contra isso, além de toda a esquerda cutista, a CSC e até setores da Articulação.
Na discussão política os pontos altos foram as polêmicas em torno das emendas sobre o balanço da CUT estadual, a necessidade de o governo Lula romper com a burguesia e governar com e para os trabalhadores, a autonomia da CUT frente ao governo, o pacto social, a retirada imediata da CUT do CDES. Elas causaram furor em setores da Articulação e infelizmente não receberam votos de vários setores da esquerda do PT.
O debate também foi polarizado nas emendas em que toda a esquerda votou unida: ALCA, anulação do acordo de Alcântara, contra o pagamento da dívida Externa e as reformas da Previdência, Sindical, Tributária e Trabalhista.
Afinal, existem setores da Articulação, especialmente os ligados a Luís Marinho, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que chegaram a tal grau de deformação, que, por exemplo, diante do anúncio de que o TRT havia declarado a abusividade da greve dos trabalhadores da General Motors (pág. 10), vibraram com um eufórico “Eu, Eu, Eu, a GM se f.”.

Nem toda a Articulação Sindical agiu como estes setores mais truculentos, capitaneados pelos metalúrgicos do ABC. Houve evidente mal estar em várias delegações, como a da Apeoesp, e diferenças, particularmente no que dizia respeito a reforma da Previdência. Porém, não se manifestaram em resoluções diferenciadas.

ESTÁ SURGINDO UMA NOVA DIREÇÃO

Ao final, se conformou a chapa “Bloco de Esquerda da CUT” – unindo o MTS e a Opção Socialista (ligada ao PT) e correntes independentes como MLST, LOI, T-POR e FOS – que recebeu adesões de delegados de outras correntes de esquerda. Este bloco obteve 15,17% dos votos e dois cargos na executiva estadual na figura dos companheiros Dirceu Travesso (MTS) e Silvio de Souza (OS). Apesar de todas as dificuldades, está se conformando um bloco de oposição programática e política aos rumos que a maioria da central quer tomar.

Infelizmente os demais setores da esquerda do PT (ASS, Força Socialista, OT, MES, CST) conformaram outra chapa, optando pela divisão da esquerda e sinalizando à direção majoritária da CUT que terão uma postura diferenciada frente aos grandes debates políticos do próximo período. Tiveram 15, 44 % dos votos. A Articulação, o PPS e a CSC juntos, obtiveram 69,39%.

Esperamos que, no congresso nacional, possamos reverter essa divisão que ocorreu em São Paulo e seguir os exemplos dos congressos do Piauí e do Rio de Janeiro.

RESULTADO SP
(Articulação, CSC e PPS)
517 votos – 69,39%

(ASS e O Trabalho)
115 votos – 15,44%

(MTS, OS, independentes; MLST, FOS, LOI, TPOR)
113 votos – 15,17%
Post author Américo Gomes,
de São Paulo
Publication Date