Imperialismo impõe governo fantoche

Dado o curso dos acontecimentos, o imperialismo ianque primeiro promoveu uma negociação entre Aristide e a oposição, apresentando fórmulas como a incorporação de um primeiro-ministro opositor e a antecipação das eleições. Mas, logo depois, retirou seu apoio a Aristide passando a defender a entrega do poder a oposição.
Os fatos ocorridos têm certa comparação com os acontecimentos venezuelanos, em abril de 2002. Ali, junto com a direita e setores da burguesia, foi impulsionada uma “revolta popular” dos setores médios para encobrir um golpe contra-revolucionário. Mas no caso da Venezuela, os trabalhadores e as massas responderam e derrotaram o golpe.

No Haiti, isso não ocorreu, pela perda do apoio popular ao governo de Aristide, fruto de sua colaboração com os EUA, e por sua própria atitude de chamar uma intervenção das forças imperialistas para defendê-lo. Os EUA culminaram essa política golpista com uma invasão militar no país para assegurar a derrubada de Aristide e, também, para controlar a situação e a oposição, agora convertida em governo. Essa política teve o pleno respaldo do imperialismo francês (antiga metrópole colonial do Haiti, que apoiava os grupos paramilitares) e da ONU.
O novo governo, encabeçado pelo presidente da Suprema Corte de Justiça, Boniface Alexandre, é claramente um governo fantoche do imperialismo. Para demonstrar a quem deve obediência, Boniface Alexandre, em sua posse, prestou juramento na presença dos embaixadores dos EUA e da França. Desde então, ele e seu primeiro-ministro andam escoltados pelas tropas norte-americanas, numa situação que a imprensa vem qualificando como “prisioneiros virtuais”. Todas as forças que participaram da derrubada de Aristide continuam requerendo e aceitando a presença das tropas imperialistas e a intervenção da ONU. Também como prova de obediência, um dos líderes militares da oposição, Guy Phillipe, declarou aceitar a entrega das armas de seu grupo às tropas norte-americanas.

O PAPEL DA ONU

Podemos definir o que aconteceu como um golpe pró-imperialista e o governo de Boniface Alexandre como um governo fantoche, mas isso não significa que o imperialismo ianque está acomodado com a situação haitiana. Em meio a um ano eleitoral e com problemas cada vez mais sérios no Iraque, o governo Bush não tem intenções de se envolver em uma nova invasão, abrindo uma nova frente de intervenção, arriscando a vida de mais soldados. Porém o presidente ianque não teve outra saída para responder aos fatos. Diante de uma possível resistência de massas, quando estas viam que nenhum de seus problemas se resolveriam, passa apostar nas distintas organizações paramilitares, como fez no Afeganistão. Contudo, o imperialismo enfrenta um risco imediato: o caráter heterogêneo da oposição derivado do enfrentamento das distintas frações armadas dos “senhores da guerra”, como também ocorreu no Afeganistão. Para evitar esse risco, não haveria remédio senão despejar mais tropas no país.

O apoio do imperialismo francês cumpre um papel chave, especialmente, na intervenção da ONU, reivindicada pelos EUA e pelo novo governo. Isso daria a Bush cobertura política e militar através dos capacetes azuis. Dessa forma receberiam a colaboração de governos latino-americanos, como o de Lula e do argentino Kirchner, que, não só anunciaram seu apoio a intervenção da ONU, como também ofereceram soldados para atuar como capacetes azuis. Não se trata de nenhuma preocupação humanitária com o povo haitiano, mas sim a intenção de ajudar Bush com a máscara da “paz”.

FORA O IMPERIALISTA DO HAITI!

A Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional, com a qual o PSTU simpatiza, repudia completamente a intervenção militar franco-americana no Haiti e exige a retirada imediata das tropas imperialistas. Denunciamos também que toda e qualquer intervenção política e militar da ONU têm como objetivo apoiar a política do imperialismo ianque e francês.

Devemos exigir dos governos Lula e Kirchner que não mandem um só soldado ao Haiti. Somente o povo haitiano tem o direito de decidir quem deve governá-lo. Confiamos plenamente que o povo do Haiti, com base nas suas velhas tradições de luta anti-colonial, desde seu próprio nascimento como nação até a luta contra Duvalier, saberá encontrar o caminho de seu triunfo.

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