Imperialismo busca evitar uma depressão

O governo Bush já gastou, aproximadamente, um trilhão de dólares para salvar bancos quebrados. Com o anúncio do novo pacote de US$700 bilhões, a soma pode chegar a dois trilhões de dólares.

As cifras são tão fantásticas que é preciso ter algum parâmetro da realidade para comparar. O déficit fiscal dos EUA, o maior de todo o mundo, é, neste ano, de US$407 bilhões. O salvamento dos bancos representa um gasto cinco vezes maior do que o déficit fiscal anual. Mesmo para uma economia da dimensão da dos EUA, com sua capacidade de imprimir dólares, isto terá sérias conseqüências. Tanto nos cortes brutais que o governo terá de impor nos gastos sociais, quanto na geração de inflação.

Evidentemente, o governo dos EUA, acompanhado pelos bancos centrais dos países imperialistas, tenta evitar uma crise semelhante à de 1929. Naquela época, a primeira reação do governo foi deixar correr, facilitando sua propagação. Mas o efeito destas medidas foi completamente transitório. Durou algumas semanas ou dias, sem reverter a situação geral.

A crise nas bolsas de todo o mundo já mostram a gravidade da situação. O valor de mercado das empresas negociadas nas principais bolsas já caiu cerca de US$20 trilhões, valor do PIB anual dos EUA e do Japão juntos.

A crise levou o pânico ao mercado financeiro, que foi contido com o novo pacote do governo dos EUA, mas não resolvido. Existe uma paralisia no crédito interbancário, na medida em que existem temores de outras quebras. Isso dificulta a evolução do conjunto da economia, ameaçando aprofundar a recessão pela falta de crédito.

Existe uma possibilidade de que os governos imperialistas consigam, afinal, conter a crise. Suas conseqüências, porém, serão mais graves que as de 2000- 2001, pela dimensão que já está tomando. Mas sua evolução ainda está em aberto.

Como toda crise se resolve com a destruição de capitais, essa deve significar falências não só nos EUA, mas nos países semicoloniais que pagarão uma parte importante desta fatura. Como a economia dos EUA depende de um aporte diário de dois a três bilhões de dólares de capitais que vêm de todo o mundo, não se pode excluir a hipótese de os capitais virarem fumaça e a crise se aprofundar muito mais. Já houve uma queda brutal desse aporte para a economia norte-americana em 2008. Enquanto no primeiro trimestre somaram US$190 bilhões, no segundo foi apenas US$136 bilhões.

Todas as hipóteses estão em aberto. Não se pode excluir nem mesmo uma evolução para uma depressão como a de 1929.

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