II Reunião da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas começa com mais de 200 pessoas


Evento ocorre em Campinas (SP) e vai até esta terça, 9

Começou na manhã desta segunda (08), a 2ª reunião da Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas, com a presença de mais de 200 pessoas, entre delegações estrangeiras e brasileira. Representantes de mais de uma dúzia de países estão participando, com destaque para uma significativa participação da América Latina e de países árabes, como Síria, Palestina, Tunísia e Saara Ocidental. A reunião começou com a leitura e discussão da pauta de assuntos a serem discutidos. Além disso, foi feita uma homenagem aos companheiros e companheiras que faleceram recentemente, em Dirceu Travesso, o Didi, que dedicou seus últimos anos de vida à constituição desta rede.

Um esclarecimento importante foi feito no início da parte da manhã: a reunião ocorre num hotel que foi, no passado, uma fazenda de café. Em função disso, Wilson H. da Silva, da Secretaria Nacional de Negros e Negras do PSTU, esclareceu que isso poderia se constituir num problema, pois o hotel, ao invés de questionar esse passado de exploração de mão-de-obra escrava negra, faz uma apologia deste passado. Por isso, ele deixou claro que era necessário conhecer o passado de nossa história e como, por meio do chamado mito da democracia racial, um cruel racismo se formou no Brasil, e é esse racismo que leva a situações onde se faz a exaltação de uma suposta harmonia entre escravos e seus senhores, coisa que deve ser repudiada com veemência.

A reunião começou seus trabalhos com a apresentação da declaração internacional da Rede, onde se afirma que a crise do capitalismo mundial que vem se aprofundando desde 2008 e apresenta alguns elementos novos desde a última reunião, realizada em 2012. Dois elementos novos surgiram: a chegada da crise econômica nos países desenvolvidos, especialmente na Europa, com o consequente desmonte do Estado de bem-estar social – ataques aos direitos dos trabalhadores, às pensões e aos subsídios para o emprego. Essa é a resposta que o capitalismo dá a essa crise, baseada num reordenamento das formas de exploração do trabalho – terceirização, precarização e privatização são alguns aspectos desse reordenamento. O segundo elemento é um importante rompimento com as burocracias sindicais e com os partidos reformistas e frente-populistas – a ruptura da classe trabalhadora com o PT é um exemplo disso -, com uma dinâmica mais rápida dos processos de reorganização sindical e política das organizações operárias.

Por isso a importância desta reunião. Para Mauro Puerro, da CSP-Conlutas e do PSTU de São Paulo, há uma necessidade de se acertar uma política comum entre as diferentes entidades presentes, pois “mesmo nos países ricos, a estratégia do capitalismo é a mesma, a de retirar direitos, de atacar a classe trabalhadora. É, por meio de encontros como este, que seremos capazes de impedir que a classe trabalhadora, os pobres e as minorias oprimidas paguem pela crise“.