Igualzinho a tudo que está aí

Maior crise até agora do governo Lula, o caso Waldomiro é mais uma demonstração de que o governo Lula dá continuidade ao de FHC.

A denúncia de que Waldomiro Diniz, braço direito do ministro José Dirceu, negociava com bicheiros o favorecimento em concorrências e licitações, em troca de propina para si e “contribuições” para campanhas eleitorais do PT, arrasta esse Partido para a vala comum em que chafurdam os partidos da burguesia.

Mas isso que causa mais espanto e decepção para todos que esperavam desse governo mudanças, é apenas o resultado inevitável da adaptação irreversível do PT à ordem e à institucionalidade vigente e do abandono da independência de classe em favor de uma política de alianças e colaboração com a burguesia.

Diz-me com quem andas e te direi quem és

A classe dominante e sua institucionalidade é corrupta da cabeça aos pés. E tem ficado cada dia ainda mais corrupta, no compasso da pilhagem promovida pelo processo de recolonização imperialista. Apenas o governo FHC, os tucanos e sua base aliada levaram bilhões nos diversos escândalos: Sivam, privatizações, mudança do câmbio, aprovação da reeleição e um longo etc. Sem falar da roubalheira enviada para as inúmeras contas abertas por políticos, banqueiros, empresários e multinacionais em paraísos fiscais.

Ora, o PT optou por governar em aliança com a burguesia e seus partidos, nos limites da ordem vigente e atrelado ao FMI e à Alca. Fez, portanto, uma opção por governar contra os trabalhadores. Quem aceita ser gerente do capitalismo em crise, governar com e para a burguesia e receber financiamento dela nas campanhas eleitorais só pode ficar de rabo preso.

Há muito o PT passou a receber dinheiro de banqueiros, grandes empresas e de empresas que vivem de sugar o Estado, como empresas privadas de lixo ou de transportes.

Então, o “toma-lá-dá-cá”, o fisiologismo e negociatas de toda espécie continuam vigorando no governo petista. Foi assim na aprovação da reforma da Previdência no Congresso, na votação do Orçamento e na reforma ministerial.
Por isto, este primeiro escândalo que atingiu o governo Lula, certamente não será o último. Pois, assim como outros escândalos já atingiram o PT nas prefeituras (como, por exemplo, o caso Celso Daniel), em nível federal não será diferente.
Pois, andando de braços dados com o PL, Sarney, Quércia, Maluf, Roberto Jefferson e a tropa de choque do Collor, além de vários expoentes também do PSDB e PFL, o PT vai se ficando cada dia mais “ïgualzinho a tudo o que está aí”.
investigação pra valer

O PSTU defende que seja realizada uma ampla investigação desse escândalo e apóia a instalação de uma CPI. Mas o PSTU, ao mesmo tempo, não deposita nenhuma confiança em uma CPI. Não acreditamos que esta poderia apurar de forma consequente este escândalo de corrupção, pois, como o próprio Lula chegou um dia a declarar, o Parlamento é um antro de picaretas.

Sem dizer que a oposição burguesa, como é o caso do PSDB, não tem qualquer interesse em acabar com a corrupção, já que o ex-governo FHC e esse partido protagonizaram os maiores lances de corrupção da história do país.
Para haver apuração até o final seria necessário também uma comissão independente: formada por personalidades reconhecidas pela população como intocáveis no terreno da ética e também por entidades como a ABI e outras, democráticas e dos trabalhadores, porém independentes e não governistas.

Aos trabalhadores, diante da falência e traição do PT, está colocado o desafio de confiar em suas próprias forças, de resgastar sua independência de classe, rejeitando alianças e pactos com a burguesia.

Para acabar de vez com a corrupção é necessária uma verdadeira transformação social no país e um governo verdadeiramente dos trabalhadores, sem burgueses e corruptos, que tenha coragem de romper com tudo isso que está aí.

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