Greves pressionam o governo Alckmin

Várias categorias permanecem em greve no estado de São Paulo. As 3 universidades estaduais paulistas (UNESP, USP e UNICAMP) chegam ao primeiro mês de paralisação. Os trabalhadores da saúde, após darem uma trégua para negociar com o governo estadual, voltaram a parar por tempo indeterminado. Os funcionários do sistema prisional do estado, que abriga mais da metade de todos os detentos do país, também fizeram greve por melhores salários e condições de trabalho. O governo Alckmin, por sua vez, mantém a intransigência com os setores paralisados.

Para o diretor da CUT estadual, pela oposição, Dirceu Travesso, o descaso do governo de São Paulo com os servidores é expressão de uma política geral aplicada por Lula. Segundo Travesso, “Alckmin, assim como Lula, está totalmente comprometido com o ajuste fiscal exigido pelo FMl”.

Universidades em luta e a repressão policial

No último dia 18, sexta-feira, houve uma rodada de negociações entre o Fórum das Seis, entidade que reúne docentes, estudantes e funcionários das universidades paulistas, e o Cruesp, o conselho de reitores. Os reitores mantiveram a proposta de reajuste zero. Além disso, o Cruesp exigiu, para prosseguir nas negociações, que os setores grevistas reconhecessem a “impossibilidade” de qualquer tipo de aumento salarial, condicionando-o à arrecadação do ICMS. Segundo o Fórum, isso daria um reajuste de apenas 1,5% em outubro. O movimento reivindica 16% de reajuste, além do aumento do repasse do ICMS dedicado às universidades.

Enquanto essa reunião ocorria em Campinas, estudantes das três universidades ocuparam a reitoria da Unesp, na capital. A manifestação contou com cerca de 250 alunos, que se dividiram em 3 grupos, para enganar a polícia, e 40 estudantes conseguiram entrar no prédio. A repressão foi muito forte, inclusive com a utilização de gás pimenta.

Saúde e Sistema Prisional em greve

Após um breve período de trégua, os trabalhadores da saúde retomaram a greve por tempo indeterminado, no último dia 16. O governador Geraldo Alckmin entrou na justiça para descontar os dias parados. Na última rodada de negociações, fez a ridícula proposta de 20% sobre uma gratificação recebida pelo servidor, a Gratificação Especial de Atividade. Esse “reajuste” seria pago apenas em novembro. Os trabalhadores da saúde reivindicam 30% de reposição sobre o total de vencimentos.

Os funcionários do Sistema Prisional de São Paulo entraram em greve, também no dia 16, com 90% das unidades paralisadas. O secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, negou reajuste aos servidores usando como desculpa a Lei de Responsabilidade Fiscal. A categoria, indignada, paralisou 92 das 120 unidades penitenciárias do estado. O movimento reivindica 40% de reposição salarial, Plano de Cargos e Salários, a incorporação das gratificações aos salários e aposentadoria especial. Na segunda, 21, os penitenciários resolveram suspender a greve, porém alertam que ela não terminou: “Se o governo não conceder o reajuste, voltaremos a parar por tempo indeterminado”, explica Ramón Álvaro dos Anjos, militante do PSTU e dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Públicos do Complexo Penitenciário do Centro-Oeste Paulista.

Post author Diego Cruz, da redação
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