Greve geral pára Grécia

A greve geral de 24 horas convocada pelas centrais sindicais parou a Grécia nesta quarta-feira, 10 de dezembro. Em Atenas, capital do país, uma grande manifestação tomou as ruas.

Colégios, universidades, bancos e comércios amanheceram fechados. Muitos locais da zona comercial de Atenas, no centro da cidade, ainda estão destruídos pelos intensos distúrbios. Também foram registrados novos conflitos entre estudantes e policiais. Os manifestantes foram reprimidos com gases lacrimogêneos depois laçar pedras e coquetéis molotov contra a sede do Parlamento. Outras cidades também ficaram praticamente paralisadas pela greve geral.

Há cinco dias o país está mergulhado em protestos. O estopim para as manifestações foi o assassinato do jovem Alexander Grigoropoulos, estudante de 15 anos assassinado com um tiro disparado pela polícia.

Jannis Mylopoulos, professor do Politécnico de Salónica, explica: “O inaudito da mobilização em massa dos estudantes é o tamanho, a força e a espontaneidade. O homicídio foi a gota que fez transbordar o copo, pois a polícia grega costuma atuar de modo autoritário”.

Mas, nesta história, há muito mais do que abuso e violência policial, tão costumeiramente praticados pela polícia local. O assassinato destampou o caldeirão social do país.

A Grécia amarga péssimos indicadores econômicos há pelo menos dois anos, quando o país ingressou na União Européia. O atual governo do primeiro ministro Costa Karamanlis levou a sucessivos processos de privatização e a significativos aumentos das desigualdades sociais.

Nos últimos meses, a crise econômica mundial bateu com força no país e o desemprego avançou para 7%. A geração que está nas ruas, que tem idades entre 17 e 30 anos, é conhecida como a geração dos 700 euros – uma referência ao valor máximo de seus salários obtidos em empregos muitas vezes precários.

A situação do governo piora a cada dia. No início, Costa Karamanlis foi a TV pedir ordem à população. Nem foi ouvido. Antes, o governo protagonizou trapalhadas que o deixaram ainda mais desmoralizado. Após o assassinato do jovem, o ministro do Interior apresentou a sua demissão, que não foi aceita pelo primeiro-ministro.

A continuidade dos protestos balança o governo. Líderes do Partido Social-Democrata, de oposição, exigem a renúncia de Karamanlis e a antecipação de novas eleições. O governo tenta botar panos quentes na situação e oferecer algo para que cessem os protestos. A prisão preventiva dos dois policiais envolvidos na morte de Alexis Grigoropoulos teve este objetivo. Contudo, nos próximos dias a sorte do governo Karamanlis será selada.

A revolta social na Grécia pode ser a primeira grande reação das massas aos efeitos da crise econômica. Por isso, é tão importante acompanhar sua evolução.