Greve da Educação do Rio Grande do Sul ganha força

No dia 2 de março, milhares de trabalhadores em educação de todo o Rio Grande do Sul lotaram o Gigantinho, um dos maiores ginásios de Porto Alegre, para aprovar a greve por tempo indeterminado. Ao som de sinetas, uma característica das mobilizações do magistério gaúcho, os trabalhadores responsabilizaram o governo do Estado pela greve.

A categoria está reivindicando reajuste de 28%, mais um aumento de 8,69%. Além da questão salarial, professores e funcionários exigem o pagamento em dia do 13º salário, a atualização das promoções de professores e funcionários e a inclusão de todos os funcionários no plano de carreira.

O governador Germano Rigotto (PMDB), possível candidato à presidência da República, permanece inflexível. O movimento grevista, em contrapartida, se fortalece a cada dia. Segundo dados do sindicato da categoria, o CPERS, a adesão já chega a mais de 75%.

Na tarde do dia 9 de março, foi realizada uma passeata com cerca de 6 mil participantes, vindos da capital e do interior. Os trabalhadores receberam o apoio de diversas entidades, que participaram com faixas e falas de solidariedade no ato de encerramento, que aconteceu em frente ao Palácio Piratini, sede do governo do Estado. Dentre os apoios, estava o da Conlutas, que também participa da greve através da corrente Democracia e Luta – Oposição ao CPERS.

Estudantes da rede pública estadual também estiveram presentes. Uma representante da Coordenação Nacional de Luta dos Estudantes (Conlute) interveio no ato apoiando os trabalhadores e manifestando a disposição da Coordenação de Lutas dos Estudantes em construir a greve junto com a categoria.

Orlando Marcelino, do Comando de Greve e membro da Democracia e Luta – Oposição ao CPERS, ligada à Conlutas, falou da importância da greve como ferramenta legítima dos trabalhadores, para ele, “não existe governo, seja Rigotto, seja Lula, que vai atender aos trabalhadores sem mobilização”. Para ele, a greve é uma resposta do movimento aos ataques do governo do Estado, que prioriza o pagamento da dívida com o governo Federal e o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.

A unidade dos movimentos foi amplamente defendida e expressa concretamente pela solidariedade de outros setores. Para a Conlutas, os ataques aos trabalhadores tem a mesma tônica: priorizar o lucro dos grandes empresários e banqueiros em detrimento de salários, saúde e educação.