Grécia: “não” é “não”! Nenhum plano de austeridade!


Leia a declaração da LIT (Liga Internacional dos Trabalhadores) sobre os últimos acontecimentos na Grécia

O categórico triunfo do ““não”” no referendo grego (61,29%) é, contra todos os obstáculos, uma vitória do povo.

É uma derrota sem precedentes da Troika, de Angela Merkel, François Hollande, Mateo Renzi e Mariano Rajoy. É a derrota da chantagem terrorista do imperialismo que, depois de saquear e afundar todo um país lançando milhões à pobreza, tem a desfaçatez de dizer: “ou nós ou o abismo”.

O “não” foi o voto dos que “não” têm trabalho, dos que tiveram seus salários e aposentadorias reduzidos, dos que “não” têm acesso à previdência e aos serviços básicos, destruídos para pagar uma dívida ilegítima e odiosa; o “não” foi a resposta de todos os que já estão à beira do abismo, produto da política imposta pelos parasitas imperialistas e seus cúmplices, os bancos e a grande burguesia grega.

O “não” grego, ao mesmo tempo, é uma rejeição às políticas de ajuste estrutural levadas a cabo por todos os governos da UE e desnuda a postura vergonhosa dos governos dos países devedores como Portugal, Irlanda ou Espanha. O “não” coloca abertamente em questão a credibilidade da Zona do Euro e da UE e desmascara o caráter do BCE, que é um instrumento político que bloqueia os fundos dos bancos gregos, causando a angústia dos pensionistas. Deixa a nu, uma vez mais, o caráter da UE, um instrumento do capital financeiro imperialista que “não” admite o menor vislumbre de soberania dos povos, um instrumento para o saque, a pilhagem e a humilhação. O “não” é a reafirmação do povo grego em defesa de sua soberania nacional.

O “não” impulsiona e alenta, em todos os países europeus, a resistência dos trabalhadores contra as medidas de austeridade e contrarreformas. Permite que, a partir de todos os países devedores, se organize a luta pelo “não” às medidas de austeridade e a solidariedade e unidade dos trabalhadores com o povo grego.

Aqueles que como o KKE (Partido Comunista Grego) resolveram chamar à abstenção, ajudaram com seu sectarismo a todos os inimigos do “não” e promoveram a divisão da classe operária na Grécia e na Europa.

A derrota política do imperialismo é igualmente a derrota da frente do “sim” impulsionada pelos partidos que assinaram os memorandos: a Nova Democracia e o PASOK, os partidos dos banqueiros e a grande burguesia grega que, junto com o imperialismo, querem colocar todo um país de joelhos e mostrar ao mundo que “não” há mais saída que a submissão por completo.

Mas a derrota política sofrida pelo imperialismo e a grande burguesia grega “não” significou, em nada, a sua liquidação. A declaração de Merkel-Hollande de que as portas da negociação estão “abertas” e a declaração de Alexis Tsipras de que um acordo pode ser alcançado em 24 horas, coloca em dúvida a vitória do referendo.

TSIPRAS: “não”, porém “sim”
Depois da avassaladora vitória do “não”, o partido dos banqueiros gregos, a Nova Democracia e seu representante, Antónis Samarás, afirma: “O Governo tem agora a responsabilidade de trazer um acordo que evite que o país afunde. Alguns na Europa traduzirão a vitória do ‘“não”’ como vontade de sair da zona euro”. E agrega: agora o objetivo é alcançar um acordo “sustentável”.

Tsipras diz que o “não” foi um mandato para reabrir a negociação de uma solução “sustentável” e “digna”. A coincidência nos termos utilizados por Tsipras e Samarás é resultado da reunião convocada pelo governo Syriza-ANEL com os partidos do “sim” (Nova Democracia, PASOK, To Potami[1]) nada menos que 24 horas após a vitória do “não”. A declaração conjunta da frente do “sim” com a frente do “não”, afirma:

A recente decisão do povo grego “não” é um mandato de ruptura, se não para continuar e fortalecer as tentativas destinadas a conseguir um acordo socialmente justo e financeiramente viável (…). O Governo assume a responsabilidade de continuar as negociações nesta direção”.

O referendo clama pelo fim da austeridade e da submissão nacional. “Não” obstante, a frente comum dos partidos do “sim” com os que defenderam o “não”, para conseguir um acordo ”financeiramente viável”, falseia o resultado da vitória do “não” e pretende convertê-la em seu contrário.

A busca de um acordo “financeiramente viável” é uma forma mentirosa de dizer que o povo grego continuará pagando a dívida à custa de seu empobrecimento, privatizações e cortes. Um possível acordo com a UE não tem outro objetivo que garantir a “viabilidade” dos bancos gregos quebrados, que dependem do financiamento do BCE. É um acordo para que os sanguessugas preservem seus interesses. São os únicos que podem tirar proveito da permanência da Grécia na UE e no Euro.

Para estancar a espiral de cortes, a contrarreformas trabalhista, e para ter casa, previdência, calefação, eletricidade, para conseguir pensões dignas é necessário romper com a UE e o Euro. Ao não colocar que esta é a única via para cumprir com o programa que apresentou nas eleições, o Syriza se converterá em um instrumento de aplicação das medidas de austeridade, embora consiga reestruturar a dívida, que todos sabem que é impagável.

Agora, com o apoio da ND e do PASOK, o governo do Syriza uma vez mais, impulsiona, afirma e gera expectativa em uma negociação cujo objetivo é conseguir uma “dívida sustentável”, isto é, em troca da reestruturação para aplicar todas as contrarreformas exigidas pelo imperialismo. As medidas da Troika recusadas pelo povo grego não podem entrar agora pela porta dos fundos.

Por isso, não se pode ter nenhuma confiança neste governo. É necessário construir organismos de Frente Única que possam, nas ruas e nos locais de trabalho, combater os planos da Troika e toda medida de austeridade. Construindo assim as bases para um verdadeiro governo da classe operária, sustentado na mobilização dos trabalhadores e do povo, e com o apoio internacional. Essa é a única via para derrotar o ataque imperialista e construir uma saída operária para a Grécia e a Europa.

Os trabalhadores gregos devem, desde já, preparar a mobilização contra qualquer possível plano e medidas de austeridade que o governo Syriza-ANEL assuma com a UE para conseguir a reestruturação da dívida.

– O governo deve decretar a suspensão imediata do pagamento da dívida.

– “Não” é “não”!

– “Não” a qualquer plano de austeridade!

– “Não” a todas as medidas da TROIKA!

– “não” à Dívida!

– Pela imediata nacionalização da banca!

– Por um plano de resgate dos trabalhadores e do povo!

– A vitória obtida no referendo deve ser defendida nas ruas com a mobilização!

– Fora o pacto Syriza-PASOK-ND!