Grã-Bretanha: é hora de preparar a greve geral

Greve do dia 30 de junho realizada por funcionários públicos britânicos foi passo importante para a luta contra ataques do governo. Mas chegou a hora da greve geral.A greve coordenada em 30 de junho dos funcionários públicos por aposentadoria, empregos e salários, e pelos professores do segundo grau e universitários pela aposentadoria foi um passo importante na luta contra o ataque do governo de coalizão sobre os serviços públicos.

O ataque do governo ao retratar o setor público como “inchado e privilegiado” é reconhecido por aquilo que é: parte do amplo ataque a todos os trabalhadores; e é por isso que há apoio popular para as greves. Sindicalistas de outras categorias estão contra furar a greve. Por isso é importante exigir que os sindicatos que não estão em grevejuntem-se ao movimento contra os cortes do governo de coalizão.Dave Prentice, líder do Unison, afirmou recentemente que ações sindicais comparáveis à greve geral de 1926 eram agora necessárias, refletindo a raiva contra a duplicação ou a triplicação nas contribuições aos planos previdenciários.

Enquanto as grandes empresas buscam o enriquecimento e têm em suas miras as escolas, o SHS (serviços de saúde para estudantes) e os serviços públicos dos Conselhos locais, o governo quer que a classe trabalhadora pague a crise através de demissões, deterioração das condições de trabalho, cortes nos serviços públicos e privatização indiscriminada.

O plano atual para arrancar cada vez mais lucros dos serviços ferroviários é um claro exemplo de que esses cortem não terão fim. Todo estudo sério mostra que a execução de serviços públicos pelo setor privado tem custo mais elevado devido à demanda por subsídios do estado e sua intenção de produzir lucro.

Estes ataques também são contra a classe operária, que enfrenta uma grave queda em seu padrão de vida e cortes nos serviços públicos dos quais necessitam. Portanto, 30 de junho deve ser o início da luta e a continuidade daquela deflagrada pelos estudantes e das manifestações de 26 de Março, que devem estender-se a todos os trabalhadores e continuar pelos próximos meses. As exigências feitas pelos congressos sindicais ao TUC (a central sindical inglesa) para chamar uma greve geral devem continuar com o objetivo de fortalecer a posição e movimentos de base nos locais de trabalho, colocando-os em contato com os movimentos anticortes dos bairros operários e com os estudantes.

Precisamos de uma luta nacional e unificada, que seja democraticamente controlada pelo movimento de massas – é a única maneira de impedir a destruição dos serviços públicos e do Estado de Bem-Estar Social como é conhecido há mais de 60 anos.

Crise internacional
O Presidente do Banco Central (Federal Reserve) norte-americano – Ben Bernanke – advertiu que se os trabalhadores gregos não aceitarem ‘sacrifícios’, o sistema financeiro mundial poderá enfrentar outra crise semelhante à de 2008. Isto apesar dos cerca de US$ 11 trilhões doados pelos governos ocidentais aos bancos! Em relação ao PIB, o tamanho do pacote de ajuda do Reino Unido aos bancos foi ainda maior que nos EUA. Isto ilustra claramente que o Estado é o pilar central da sustentação do sistema financeiro e que os bancos e as grandes empresas exercem total controle sobre os principais governos do mundo. Dívidas públicas como na Grécia, Irlanda, Portugal e Espanha são criadas pelo capitalismo em um sistema internacional integrado.

A revolução árabe resultou da mesma crise; onde o impacto do grave desemprego e do aumento da inflação tornou-se insuportável.

A crise mundial vai ter um forte impacto na Grã-Bretanha, pois é um dos centros financeiros mundiais, e a crise na Grécia tem o potencial de desestabilizar a economia britânica.

A greve de 30 de junho
A greve na Grã-Bretanha acontece após a greve geral de dois dias na Grécia, onde o governo aprovou cortes de austeridade ainda maiores que na Grã- Bretanha. Trabalhadores gregos enfrentam um pesadelo de cortes salariais drásticos e privatizações maciças e reagiram furiosamente aos planos. A União Europeia e o plano do FMI para a Grécia é um aviso aos britânicos e outros trabalhadores europeus – que é para onde nos dirigimos a menos que o capitalismo seja barrado.

O que está acontecendo na Grã-Bretanha não é apenas devido ao pernicioso governo Tory (conservador). As grandes questões também estão sendo decididas pela União Europeia, o FMI e o Banco Mundial. É uma ofensiva internacional do capitalismo em todo o mundo.

Entretanto, eles são ideologicamente orientados para infligir uma derrota severa à classe trabalhadora por meio de ataques aos serviços e sindicatos do setor público. Eles são impulsionados pela profunda crise nacional e internacional do capitalismo e sua necessidade de mudar as relações de força entre as classes estabelecidas após a Segunda Guerra Mundial. O seu lema é salvar os bancos e os ricos, e fazer os trabalhadores pagar a conta.

A grande lição do período pós-guerra deve estar no centro da nossa luta

Naquela época, o sistema de bem-estar social foi conquistado nas grandes lutas da classe operária do final da Segunda Guerra Mundial e o capitalismo teve de se adaptar. No entanto estas grandes conquistas não conseguiram ameaçar a sobrevivência do capitalismo e hoje estamos vendo o resultado disso.

Apoiamos todas as lutas imediatas e a necessidade de se desenvolver uma liderança nos sindicatos e nas comunidades à altura da tarefa que enfrentamos. Se não conseguirmos, nossos serviços públicos vão desaparecer para sempre. Um movimento de massas na Grã-Bretanha deve se desenvolver como um movimento nacional unificado com o objetivo de substituir o capitalismo pelo socialismo, com a classe trabalhadora no controle da indústria, serviços públicos e dos bancos – um movimento que vai construir laços em toda a Europa e tornar-se um movimento de massas de todos trabalhadores europeus.

  • Trabalho, educação, saúde e uma vida decente para todos – Serviços públicos, não privados.
  • Nacionalizar os bancos sem indenização.
  • Abaixo a Europa capitalista.
  • Por uma Europa dos trabalhadores e do povo
  • Pelos Estados Unidos Socialistas da Europa