Governo quer aumentar o preço da gasolina

Semana passada no Rio de Janeiro postos de gasolina chegaram a vender a gasolina a R$ 3,098 o litro, 23,6% a mais do que a média de R$ 2,502 de 2009 e a ameaça é que os preços subam mais. Na Bahia O preço do combustível está, em média, R$ 2,92 e no Maranhão, R$ 2,90.

Depois de dizer insistentemente que o preço da gasolina no Brasil não seria pautado pelo mercado internacional, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, voltou atrás e admitiu que poderá sim haver reajuste, se o preço do petróleo tipo Brent (tipo de petróleo cru) permanecer no atual patamar. O barril do petróleo do tipo Brent atingiu a sua maior cotação em dois anos e meio, a US$ 123.

Gabrielli alegou que uma variação muito grande de preços no mercado internacional prejudica a margem de lucro das refinarias. Os aumentos constantes no preço do álcool anidro, que é misturado à gasolina na proporção de 25%, também pressionam os preços para cima.

Para atender ao aumento do consumo de gasolina após a disparada dos preços do álcool, a Petrobras teve de recorrer a importações. Se a carga que chega ao país não for suficiente para suprir a demanda, a companhia poderá fazer um novo pedido, e o preço tende a aumentar.

Vale lembrar que o preço da gasolina pura da Petrobras (tipo A), sem etanol, está inalterado desde maio de 2009, em torno de R$ 1 o litro.

Ocorre que nas bombas o preço é mais alto. Isso por que o governo brasileiro quer manter o preço da gasolina em patamares internacionais para beneficiar as grandes multinacionais petroleiras, as BIG OIL; petroleiros privados brasileiros, como Eike Batista e o latifúndio que planta etanol.

O preço da gasolina deveria ser R$ 0,32
Em todo o mundo, devido às revoluções no mundo árabe, há uma crescente inquietação com o preço elevado do litro da gasolina.

Ocorre que o Brasil é auto-suficiente em petróleo, somente com suas reservas no pós-sal. Por isso o preço do litro da gasolina deveria ser US$ 0,2 (20 centavos de dólares) ou R$ 0,318 (32 centavos de real), como é vendido nas bombas da Venezuela, que também é auto-suficiente. No Paraguai (que não tem nenhum barril de petróleo) a gasolina custa R $ 1,45 o litro. No entanto, o consumidor brasileiro paga quase oito vez mais que o venezuelano.

No Brasil o barril de petróleo custa US$ 240,09, na Venezuela, o mesmo volume custa US$ 31,8. Ou seja, o consumidor aqui no Brasil paga 655% acima do preço pago pelo consumidor venezuelano. O valor do salário mínimo no Brasil, R$ 545, não compra o equivalente a dois barris de gasolina.

Chegamos ao absurdo que hoje, no Brasil, o preço do litro da gasolina é quase o dobro do que é pago pelos consumidores nas bombas dos Estados Unidos.

A farsa dos preços da gasolina
A extração de um barril de petróleo (159 litros) varia de 1 dólar (nos poços terrestres da Arábia Saudita) a 15 dólares (nas plataformas marítimas). Com isso o custo médio mundial de extração e refino de um barril de petróleo bruto é US$ 9,28 dólares. Só que o preço internacional do barril está cotado a 123 dólares.

A diferença entre custo de produção e preço de venda, que dá uma média de mais de 100 dólares o barril, dá a magnitude dos lucros das empresas petrolíferas. De um barril de petróleo bruto, quando destilado, é retirado 14 litros de gás de cozinha. No Brasil, um botijão de 13 kg de gás de cozinha (GLP) (equivalente a 31,5 litros, portanto um pouco mais que dois barris de petróleo) é vendido por. R$30,58., ou seja US$ 19,75 dólares.

Significa que metade de um botijão de gás de cozinha (US$ 9,98 dólares) cobre os custos de extração e refino de um barril de petróleo das empresas petrolíferas. Além de 37 litros de outros produtos, incluindo os derivados nobres do setor petroquímico, de um barril de petróleo ainda é retirado 74 litros de gasolina e 34 litros de diesel.

O preço da gasolina e do diesel de um barril de petróleo bruto totaliza na bomba hoje, por baixo, R$ 500,00, ou US$ 230,00, incrivelmente 2.300% acima do custo de extração e refino, somente em gasolina e diesel.

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Somente na última capitalização da Petrobrás, o governo brasileiro doou à empresa 5 bilhões de barris de petróleo a um valor de US$ 8,51 o barril. Com isso o governo Lula entregou uma riqueza equivalente a 400,00 bilhões de dólares as acionistas da bolsa de Nova York.

O petróleo tem que ser nosso
É urgente a reestatização da Petrobrás e retomada de todos os blocos exploratórios e campos de produção de petróleo bruto, sem indenizações, e a nacionalização de todas as empresas petrolíferas que operam no Brasil.

Com o monopólio estatal da exploração e refino do petróleo, poderemos ter a gasolina muito mais barata, principalmente para o transporte. Com isso, daria para reduzir significativamente o preço dos alimentos. O preço das absurdas passagens de ônibus e do transporte coletivo cairia vertiginosamente também e o gás de cozinha poderia ser dado de graça para a população mais carente.