Governo Lula renovará acordo com o FMI

O acordo com o Fundo Monetário Internacional vence em março. Já foi renovado em 2001, 2002 e 2003 e fará com que o país pague U$S 6,15 bilhões em juros até 2007Apesar das demagógicas declarações do ministro Antonio Palocci, dizendo que não irá renovar acordo algum com o FMI, o governo Lula já despachou a Washington o secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, para negociar com os técnicos do Fundo e acertar os detalhes da renovação.

O atual acordo foi firmado em 1998, como um socorro para que a economia brasileira atravessasse os efeitos da moratória russa na economia mundial. Na época, com uma economia totalmente dependente do capital especulativo, foi preciso buscar U$S 58 bilhões com o FMI. Mas esta “ajuda” teve o seu preço. Até 2007 o país deve pagar U$S 6,15 bilhões apenas em juros. Além disso, o governo deverá pagar, entre 2005 e 2006, mais US$ 15 bilhões referentes a financiamentos desde 1998. Claro que todo esse dinheiro sairá dos orçamentos da saúde, da educação, da reforma agrária etc.
Uma prorrogação deste acordo, como desejam Palocci e Lula, nada mais é do que a renovação da política de sangria, na qual o governo mantém um superávit primário altíssimo, aumentando o número de desempregados e subempregados e atacando os direitos trabalhistas.

As recomendações do Fundo não ajudaram a aumentar as reservas do país. Nos anos 1990, elas ultrapassaram os U$S 60 bilhões, mas hoje são de apenas U$S 29 bilhões.

Resultados da terapia de choque
Na véspera de um novo acordo, um estudo do Fundo, divulgado no dia 8, apresenta os dados sobre o desempenho das economias da América Latina submetidas nos últimos 15 anos às terapias de choque. O relatório apresenta uma conclusão óbvia, a de que o controle da inflação e o aumento na entrada de capitais, tão comemorados por governos e banqueiros, convivem com um baixo crescimento econômico e com um aumento da pobreza. Atualmente, 44% da população da América Latina é formada por miseráveis, o que equivale a 214 milhões de pessoas. Em apenas dez anos, 14 milhões de pessoas passaram a essa situação.

A década de 1980 ficou conhecida como a década perdida. Entre 1981 e 1990, o Produto Interno Bruto (PIB) da América Latina diminuiu 0,6% por ano, em comparação com outras regiões. Nos seis anos seguintes, o PIB da região cresceu 2,5%, considerado pouco pelo FMI, principalmente em relação aos países da Ásia, cujo PIB cresceu 6,5% em média. Entre 1998 e 2003, o PIB latino-americano voltou a ter um desempenho negativo em relação a outras regiões, com -0,1%.

Lavando as mãos
Em nenhum momento, o estudo avalia a clara responsabilidade do FMI sobre esses novos miseráveis. Mesmo tendo subordinado os países da região, cujos governos aplicaram à risca suas recomendações. Em casos como o da Argentina, as políticas do Fundo levaram a uma quebradeira completa da economia do país. Em outros países, como no Equador, aplicou-se a dolarização da economia, de modo que pouco sobrou da soberania do país.

Além de não se responsabilizar por essa situação, o FMI ainda é capaz de apresentar novas (ou velhas) recomendações: controle das metas de inflação, independência dos Bancos Centrais, diminuição do déficit público e, claro, reforma nas legislações trabalhistas.

Post author Gustavo Sixel, da redação
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