Governo Bolsonaro reafirma fim do Ministério do Trabalho

Futuro ministro da Casa Civil anunciou extinção do Ministério do Trabalho

Deputado que relatou a reforma trabalhista e é investigado por fraude em empresa terceirizada não se reelegeu mas volta ao governo

O futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, o mesmo que admitiu ter recebido R$ 100 mil da JBS em Caixa 2, confirmou nesta segunda-feira, 3, que o Ministério do Trabalho será mesmo extinto. De acordo com o político do DEM, o ministério irá acabar e sua estrutura desmembrada em três partes.

Segundo Onyx, a “parte de concessão sindical” ficará com o Ministério da Justiça, de Sério Moro, a de políticas de emprego no Ministério da Economia, o superministério liderado pelo banqueiro Paulo Guedes, e o que se refere a políticas sociais ficará a cargo do Ministério da Cidadania comandado por Osmar Terra (MDB), ex-ministro de Temer. Terra também é citado na Operação Lava Jato por ter recebido propina da OAS.

O vai-e-vem do Ministério do Trabalho, com a confirmação agora de sua extinção, tem como efeito mais prático mostrar ao mercado financeiro e aos empresários a firme determinação do futuro governo de avançar ainda mais na retirada de direitos trabalhistas. Na prática, o grosso da área ficará sob a batuta do banqueiro Paulo Guedes. A principal política anunciada pelo governo para a área é a implementação da chamada “carteira de trabalho verde e amarela”, que não teria qualquer direito garantido.

Deputado Rogério Marinho, relator da reforma trabalhista

E o nome preferido por Paulo Guedes para assumir a Secretaria de Trabalho e Previdência de seu superministério, é o do deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN). Marinho foi ninguém menos que o relator da reforma trabalhista aprovada no ano passado que flexibilizou 100 pontos da CLT. Na época, o deputado já era investigado por fraude em empresas terceirizadas e em licitações. Segundo investigação do Ministério Público do Trabalho (MPT), Marinho era sócio numa empresa que fornecia mão-de-obra terceirizada para o poder público em Natal, e forçava os trabalhadores a devolverem à empresa o dinheiro do FTGS.

O desgaste de Rogério Marinho foi tão grande que, mesmo com uma campanha milionária bancada por empresários, ele não conseguiu a reeleição. Volta agora, porém, nas mãos de Bolsonaro e Guedes.

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