Fraude nas eleições de Correios em São Paulo

Realizadas de 26 a 30 de abril, eleiçoes foram marcadas por cenas de gangsterismo`AtivistaTrês chapas foram inscritas no processo eleitoral: a chapa 1, da atual direção, formada pelo PT e PCdoB, que defendia a política da empresa e do governo; a chapa 2, de oposição, formada por militantes do MTS (Movimento por uma Tendência Socialista), PSTU e independentes, que defendia um sindicato democrático e independente da empresa e do governo Lula e a chapa 3, da Causa Operária, que se dizia de oposição mas, na verdade, só atacava a chapa 2 com calúnias e mentiras, se calando diante das traições da chapa 1 e dos ataques do governo.

Foi através da comissão eleitoral que se orquestrou o processo de fraude. Depois serem impedidos pela oposição de fraudarem votações, bate-paus da comissão e da chapa 1, na madrugada do dia 29 expulsaram, sob ameaças de morte, os fiscais de urna das chapas 2 e 3 violando as urnas e mudando os votos ali depositados. Isto levou a suspensão do recolhimento de votos no dia 30 e a retirada das chapas 2 e 3 do processo eleitoral.

As chapas 2 e 3 apresentaram à comissão eleitoral um pedido de suspensão do processo e convocação de eleições democráticas, o que foi obviamente recusado. A comissão apurou os votos com o apoio da CUT nacional e da CUT São Paulo, que foram, no mínimo, cúmplices da fraude, juntamente com o Secretário-geral da FENTECT, Ivan Pinheiro.

Quando foi encerrada a coleta de votos foram registrados 4.484, mas na apuração apareceram 5.082 votos assim distribuídos: chapa 1, 2.409; chapa 2, 1.540 votos; chapa 3, 826; além de 232 votos nulos e 75 brancos. Este resultado evidencia o aparecimento de 598 votos a mais.

A direção do sindicato foi obrigada a fraudar as eleições, por ser minoritária na categoria e precisar estar no sindicato para seguir impondo a colaboração com a direção da empresa e com o governo. Foi assim na greve, no acordo que obrigou todos os trabalhadores a trabalhar no período do carnaval, na luta da PLR e, agora, preparam um acordo que acaba com as 40 horas semanais e os sábados livres.

Os fatos que ocorreram nessas eleições demonstram que as relações burocráticas no movimento sindical cutista deram um salto de qualidade com o advento do governo Lula, pois a CUT passou a ser chapa branca. Seus dirigentes atuam no movimento como ministros do governo Lula.

Como a política do governo não abre espaços para concessão de benefícios, ao contrário, ataca e retira direitos, esta cúpula dirigente cada vez fica mais isolada e encastelada em aparatos burocráticos conquistados com métodos violentos próprios de bandidos.

Post author Ezequiel Filho, de São Paulo (SP)
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