Fora Arruda: Manifestantes ocupam Câmara Legislativa

PSTU exige a saída do governador e secretários e dos deputados distritais, com novas eleiçõesCentenas de pessoas estão neste momento na Câmara Legislativa do Distrito Federal, onde realizam um grande protesto pelo Fora Arruda. Os manifestantes iniciaram um ato público às 14h desta quarta-feira, 2, e, cerca de uma hora depois, entraram no prédio. Eles permanecem no plenário, onde ocorrem as sessões dos deputados, nos corredores e nas galerias. Outro grupo aguarda do lado de fora do prédio e a circulação está liberada.

A ocupação foi quase espontânea, tendo à frente um grupo carregando um caixão, simbolizando o governo de José Roberto Arruda (DEM). “Não teve como a polícia segurar. O pessoal foi entrando e ocupou”, afirmou Ricardo Guillen, do PSTU de Brasília, por telefone. Nos vídeos exibidos pelos telejornais, deputados da base aliada aparecem recebendo dinheiro, e guardando como podiam, inclusive nas meias e cuecas. O próprio presidente da Câmara teve de pedir afastamento, depois de aparecer nos vídeos. “Depois disso tudo, eles não têm nem coragem nem moral pra mandar a segurança impedir que o povo entre aqui”, afirma Guillen. Apenas alguns seguranças tentaram oferecer resistência, mas logo desistiram. Segundo a imprensa, uma porta foi quebrada durante a invasão.

O ato foi convocado por todas as centrais sindicais, como a CUT, Conlutas e Intersindical, diversos sindicatos, entidades estudantis e partidos de oposição. Na ocasião, os partidos pretendem entregar um novo pedido de impeachment do governador. Os poucos deputados que estavam no prédio permanecem em seus gabinetes.

Guillen destaca o grande número de estudantes presentes. “A juventude está com força neste ato. Os estudantes forçaram a entrada do prédio e estão na linha de frente”, afirma. Entre eles, muitos estudam na UnB, onde a luta do movimento estudantil forçou a derrubada do reitor Timothy, após denúncias de corrupção e desvio de verbas.

Nesse momento, há um debate entre as entidades presentes sobre o que fazer. “Algumas entidades estão propondo deixar o prédio e recuar da ocupação. Nós defendemos continuar aqui e o pessoal está animado, disposto a continuar”, conta Guillen.

O destino de Arruda está nas mãos dos trabalhadores
O escândalo no governo do DEM deu início a uma gravíssima crise política no Distrito Federal. O governo perdeu o apoio da base aliada, e a oposição tem atuado para forçar a saída do governador. A cada dia, piora a situação para Arruda, aumenta o repúdio ao seu governo, e a sensação de que esse governo não tem condições de completar o mandato.

O debate que se coloca para os trabalhadores e o povo do Distrito Federal é sobre qual a saída para esta crise. “Não tem como se resolver aqui na Câmara, pelos deputados. Muitos receberam dinheiro do governo. Quem poderia assumir no lugar de Arruda, também está sob suspeita”, afirma Guillen. Em um manifesto divulgado nesta terça-feira, o PSTU tem defendido a realização de novas eleições, para o governo e a Câmara, e a expropriação dos bens dos corruptos e corruptores.

Mais do que isso, o partido tem convocado a luta e a mobilização direta, como única garantia de que o escândalo não termine em pizza. Os militantes do partido tem defendido um dia de lutas e paralisações pelo Fora Arruda. “A CUT tem uma grande responsabilidade nisso, já que dirige importantes sindicatos, com a maioria do movimento sindical”. Para o partido, é importante unir essa campanha com as lutas que estão ocorrendo, como a greve dos servidores e docentes da UnB e dos trabalhadores do sistema carcerário. “Também é hora de os professores, que tanto foram atacados pelo governador, reagirem e saírem às ruas pela sua derrubada”, afirma Guillen.

Um novo ato está marcado para a próxima quarta-feira, dia 9, na Praça do Buriti. Para garantir um forte protesto, diversas atividades serão realizadas nos próximos dias. No final de semana, haverá panfletagem nas dezenas de feiras da periferia, como a de Planaltina. E, nos próximos dias, haverá a convocação nos locais de trabalho, nas universidades e agitações em frente à Rodoviária de Brasília, por onde circulam milhares de pessoas todos os dias.

  • Leia a nota do PSTU do Distrito Federal