Famílias organizadas pelo movimento Luta Popular ocupam terreno em Osasco


Cerca de 100 famílias sem-teto ocuparam, na madrugada desse sábado (24), uma área na Estrada do Portugal, no bairro Santa Fé, em Osasco (próximo à Rodovia Anhangüera). A Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana já se posicionaram e o risco de conflito é iminente.

Nos últimos dois meses essa é a terceira ocupação feita pelo grupo, que conta com o apoio do Movimento Luta Popular, e que já cansou de esperar o tão falado direito à moradia. Existem atualmente 43 mil famílias inscritas no programa “Minha casa, minha vida” em Osasco. Desde 2009, a prefeitura entregou apenas 420 casas.  

A área ocupada tem sido alvo de debates na imprensa por conta do projeto de instalação de um heliporto. Tanto a comunidade – que vive no entorno da região – quanto empresas aí instaladas há anos, como o SBT, tem dado uma batalha contra o projeto. As famílias estenderam na entrada da área uma faixa com os dizeres: “Jorge Lapas, Osasco quer mais moradia e menos heliponto”.

O sábado e as visitas da força do Estado
No sábado (24), já logo de manhã, a PM e uma pessoa que dizia ser ex-funcionário do proprietário da área compareceram à ocupação. De acordo com o movimento, o Boletim de Ocorrência foi registrado e o comandante da PM, Simões, afirmou que, estando a ocupação consolidada e sendo o terreno particular, qualquer possibilidade de reintegração de posse só poderá acontecer por meio da solicitação feita pelo proprietário via Justiça.   

À tarde, no entanto, a GCM (Guarda Civil Metropolitana), alegou, sem qualquer documento ou prova, que a área era pública e que iriam despejar as famílias. De nada adiantou argumentar que o terreno é particular e que o movimento possuía um BO com assinatura de um representante do proprietário.

Clima de tensão
De acordo com o movimento, a GCM causou um clima de tensão e fechou os acessos à rua da ocupação, impedindo muitas famílias de chegarem. O movimento alega que a GCM, em dado momento, entrou correndo na ocupação com arma de bala de borracha em punho, teaser à mostra, não só pela entrada da frente, mas pelo meio das árvores, assustando as crianças e as famílias que ali estavam. Tentaram ainda constranger pessoas que os filmavam.

No fim da tarde, no entanto, se retiraram.  O movimento comemorou o que considerou sua primeira vitória e agora conta com o apoio de movimentos, coletivos, sindicatos, mídias independentes, e de todos aqueles que sonham com um mundo mais igualitário.  

No domingo, a ocupação se fortaleceu. De cem famílias, hoje conta o dobro.  A comunidade ao redor apóia e ajuda na estrutura do local.

Histórico da ocupação
Nas duas últimas ocupações que fizeram, as famílias ergueram seus barracos em uma área de propriedade do governo municipal e abandonada há décadas, na rua Francisco Morato (Parque Bandeirantes). Ao serem ameaçadas de despejo no dia 12 de julho, optaram por sair pacificamente mediante promessa de reunião com a prefeitura.  

A reunião aconteceu na manhã de 16 de julho, para a qual as famílias compareceram em passeata, com faixas, cartazes e apitos. Os representantes da prefeitura se comprometeram a avaliar a situação e tomar providências. Pediram que fosse entregue um cadastro com os dados e demandas de cada família. O cadastro foi entregue. Nenhuma medida, nem ao menos resposta, veio por parte da prefeitura.   

Não queremos conflito, mas não aguentamos mais a humilhação de morar de favor ou de deixar de comer para pagar aluguel”, afirma nota divulgada pelo movimento, que conclui: “Se o conflito vier, virá pelo descaso da prefeitura. A responsabilidade pelo que ocorrer é do prefeito Jorge Lapas, da GCM e da PM”.